
A escolha do deputado federal alagoano Alfredo Gaspar, do União Brasil, como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro revela uma estratégia conhecida nas disputas presidenciais: a busca por espaço no Nordeste.
Ao anunciar o nome, Flávio disse ter escolhido alguém que representa o “verdadeiro Nordeste”. A declaração mostra o peso político da região, que reúne quase 44 milhões de eleitores e se tornou um território fundamental para qualquer candidato que queira chegar ao Palácio do Planalto.
A importância do Nordeste vai além do tamanho do eleitorado. A região concentra uma parcela expressiva da população mais dependente de políticas públicas federais e, nas últimas décadas, construiu uma forte identidade eleitoral em torno do lulismo.
Mas a história mostra que o Nordeste nunca foi um bloco político fixo.
Nas eleições da redemocratização, a região teve comportamentos diferentes. Em 1989, Fernando Collor teve votação expressiva no Nordeste. Nos anos 1990, Fernando Henrique Cardoso também conseguiu bons resultados na região.
A mudança acontece principalmente a partir de 2006, quando Lula amplia sua conexão com o eleitor nordestino. A combinação entre crescimento econômico, políticas sociais e melhoria da renda fortaleceu a relação entre o PT e a região.
Mas isso não significa que o Nordeste seja naturalmente de esquerda. O voto é influenciado por vários fatores: avaliação de governo, imagem dos candidatos, economia e percepção sobre o futuro.
A eleição de 2018 mostrou isso. Bolsonaro venceu no país e conseguiu uma votação relevante no Nordeste, embora a região tenha permanecido como principal base eleitoral de Lula e do PT.
Em 2022, Lula voltou a ter uma vantagem expressiva no Nordeste, mas Bolsonaro ampliou sua votação em vários estados. O movimento mostrou que a região tem padrões eleitorais fortes, mas não imutáveis.
Para 2026, a disputa passa por uma pergunta central: até que ponto o vínculo construído por Lula com o eleitor nordestino continua forte e se algum adversário consegue reduzir essa diferença.
O Nordeste não pertence a nenhum partido. É uma região decisiva porque reúne votos, história política e uma população que pode definir o resultado de uma eleição nacional.
No fim, conquistar o Nordeste não significa apenas vencer uma região. Significa avançar um dos principais caminhos até o Planalto.


