
A eleição para presidente de uma Assembleia Legislativa costuma ser uma formalidade. Mas, em 1985, a disputa pelo comando da Assembleia do Ceará terminou em tragédia e entrou para a história como uma das mais dramáticas da política cearense.
Na época, a base do governador Gonzaga Mota estava dividida. De um lado, Castelo de Castro. Do outro, Murilo Aguiar. Pela primeira vez, dois grupos governistas disputavam o controle da Casa.
A votação foi voto a voto.
No primeiro escrutínio, Castelo recebeu 23 votos. Murilo, 22. Uma cédula foi anulada. Segundo a família, era justamente o voto do próprio Murilo, invalidado por uma rasura.
Sem maioria absoluta, uma nova votação confirmou a vitória de Castelo de Castro.
Foi quando o plenário explodiu.
Deputados trocaram agressões, houve empurra-empurra e, em meio à confusão, as cédulas da eleição foram arrancadas das mãos do presidente da sessão e lançadas para o alto. A própria ata da Assembleia registra o tumulto.
Pouco depois, Murilo Aguiar sofreu um infarto. A notícia da gravidade do seu estado de saúde chegou ao plenário ainda durante a madrugada. O deputado não resistiu.
O episódio marcou para sempre a história da Assembleia Legislativa. Hoje, o principal auditório da Casa leva o nome de Murilo Aguiar.
Mais do que escolher um presidente, aquela eleição revelou que o grupo que governava o Ceará já estava dividido. Um ano depois, essa ruptura abriria caminho para a vitória de Tasso Jereissati e para o início do chamado Governo das Mudanças.
Em 2016, a política pregaria mais uma peça na Família Aguiar. Sérgio Aguiar, neto de Murilo, concorria como favorito para ocupar a Presidência da Alece. Dormiu na cadeira e acordou fora dela.

