A tentativa de retomar o diálogo com o governo dos Estados Unidos foi destacada pelo presidente Lula (PT) nesta sexta-feira (14/08). Em entrevista, o gestor afirmou que não pretende entrar em conflito com os norte-americanos, mas defendeu a decisão do Brasil de iniciar o processo previsto na Lei da Reciprocidade.
Segundo Lula, a medida adotada pelo governo brasileiro demonstra que o país está disposto a reagir às ações que considera prejudiciais aos seus interesses. O presidente afirmou ainda que pretende defender a posição brasileira por meio da “verdade” e da argumentação internacional.
“Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos. Lamentavelmente, eles estão fazendo, sabe, construindo inverdades contra o Brasil. Nós, ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa”, declarou.

A aplicação de eventuais medidas de retaliação, contudo, não ocorre automaticamente com a abertura do processo. A legislação estabelece uma série de etapas antes que o governo possa adotar mecanismos de defesa comercial contra ações de outros países.
Entre as possibilidades previstas estão respostas proporcionais a medidas estrangeiras que afetem negativamente a competitividade internacional do Brasil. O instrumento pode abranger áreas como comércio, economia, diplomacia e concessão de vistos.
No campo diplomático, Lula afirmou que tenta estabelecer um novo contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O gestor disse que gostaria de conversar diretamente com o norte-americano, embora tenha reconhecido que uma nova reunião pode levar algum tempo devido à agenda de Trump.
Também durante a entrevista, Lula voltou a citar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O presidente afirmou que já teria manifestado a Trump sua avaliação de que Rubio não tem uma postura favorável ao Brasil e à América Latina.
“É que eu acho que não é ele [que defende taxação]. Ele [Trump] sabe que não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina”, disse.
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