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“Vira e Karuna” apresenta processo de criação em Fortaleza nesta quinta (27)

O espetáculo experimental “Vira e Karuna” realiza uma abertura de processo nesta quinta-feira (27/08), às 19h30, na Casa Absurda, em Fortaleza. A atividade é gratuita e apresenta ao público parte dos materiais e experimentações desenvolvidos ao longo de cerca de um ano de pesquisa. Após a apresentação, haverá uma roda de conversa com os artistas.

A montagem reúne os artistas cearenses Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz (Mumutante), que investigam, por meio da criação, questões relacionadas à existência de pessoas negras, aos territórios onde vivem e circulam e às relações de pertencimento e deslocamento. A sessão terá classificação livre e contará com intérpretes de Libras.

A construção do espetáculo teve como um dos pontos de partida a convivência entre os três artistas. Eles se conheceram a partir de suas trajetórias na arte e, há cerca de três anos, chegaram a compartilhar uma moradia. Situações do cotidiano passaram a integrar o processo de pesquisa e experimentação.

Segundo Lucas Limeira, momentos vividos na casa compartilhada acabavam gerando ideias posteriormente levadas aos ensaios. “Às vezes estávamos fazendo um lanche juntos, surgia alguma ideia, começávamos a conversar e desenvolver aquilo e, depois, levávamos para experimentar no ensaio”, comenta.

“Vira e Karuna” apresenta processo de criação em Fortaleza nesta quinta (27)
Foto: Divulgação

A pesquisa aborda experiências relacionadas a raça e gênero e trabalha com sentimentos como coragem e tristeza. A sinopse apresenta três figuras que embarcam em um veículo rumo a um lugar distante da terra onde nasceram, que teria sido destruída. A situação serve como ponto de partida para a investigação sobre deslocamento, pertencimento e a relação entre pessoas e territórios.

A atividade desta quinta-feira não corresponde à apresentação de uma obra finalizada. A proposta é compartilhar uma etapa do processo criativo, permitindo que o público acompanhe materiais e experimentações que ainda estão em desenvolvimento. Depois da apresentação, os espectadores poderão participar de uma conversa com os artistas sobre as descobertas e os caminhos da pesquisa.

Para Noá Bonoba, responsável pela direção e orientação dramatúrgica, o contato com o público faz parte da própria construção do trabalho. “É na abertura de processo que você experimenta o material pensado, as ideias, a visualização dessas ideias, sua concretização e materialização no contato com o público”, pontua.

Noá também afirma que a metodologia adotada foi construída a partir das características do próprio projeto e das experiências dos artistas. Sua participação começou quando o processo já estava em andamento e, segundo ela, o trabalho busca preservar os elementos que deram origem à criação, ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades.

A montagem também é orientada pelo interesse dos artistas em criar espaços para continuar desenvolvendo seus trabalhos e compartilhando experiências. Dessa forma, a abertura de processo funciona como uma etapa de apresentação do percurso artístico e não apenas como uma atividade anterior à estreia.

“Vira e Karuna” tem Noá Bonoba na direção e orientação dramatúrgica e reúne Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz no elenco. A trilha sonora é assinada por Mateus Fazeno Rock e Mumutante. Cenografia e figurino são de criação coletiva, enquanto Yaryn responde pela maquiagem e Angelo William pela iluminação. O projeto também conta com acessibilidade em Libras.

A abertura de processo será realizada em sessão única, com capacidade para 60 pessoas, na sala de teatro da Casa Absurda, localizada na Rua Isac Meyer, 108, no bairro Aldeota. A entrada é gratuita e a classificação é livre.

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