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Juraci Magalhães: O homem que se tornou parte da cidade

Toda cidade muda. Algumas mudanças a gente percebe. Outras, só entende quando olha para trás.

Fortaleza também foi mudando. E, por muitos anos, essas mudanças tiveram um homem no centro delas. Juraci Magalhães. A história começa em 1988.

Médico, nascido em Senador Pompeu, Juraci entra na política como vice de Ciro Gomes. 1 ano e 3 meses depois, Ciro deixa a Prefeitura para disputar o Governo do Estado. Juraci assume o cargo.

O que parecia ser apenas uma sucessão acabaria mudando os rumos da política de Fortaleza. Os dois romperam. Ciro seguiu seu caminho. Juraci decidiu construir o próprio. E foi nas ruas que ele encontrou sua principal forma de fazer política.

Avenidas. Terminais de ônibus. Praças. Equipamentos de saúde. A Avenida Raul Barbosa. A Via Expressa. Os terminais de integração. A ampliação do IJF. Os Frotinhas e Gonzaguinhas.

Juraci queria uma Prefeitura que pudesse ser vista. Que estivesse nos bairros. Que chegasse perto das pessoas. Criou as administrações regionais e espalhou equipamentos públicos pela cidade.

A ideia era transformar Fortaleza. E, ao mesmo tempo, transformar a própria figura do prefeito em parte dessa transformação. A força desse projeto apareceu nas urnas.

Em 1992, Juraci elegeu seu sucessor, Antônio Cambraia. Quatro anos depois, voltou à Prefeitura. Foi reeleito em 2000 e permaneceu no cargo até 2004. Três passagens pela Prefeitura. Mais de uma década no comando da Capital.

Tempo suficiente para construir uma máquina política poderosa. Mas também tempo suficiente para que as contradições aparecessem. Vieram as denúncias de corrupção. O escândalo da merenda escolar. O desgaste político.

O homem conhecido pelas obras passou a conviver com a rejeição. Em 2004, Juraci deixou a Prefeitura. Ainda tentou voltar à política. Em 2006, disputou uma vaga de deputado federal, mas não conseguiu se eleger.

Quando perguntaram sobre a derrota, respondeu como quem ainda encontrava humor onde muitos encontrariam amargura: “Faltou voto, meu filho.”

Três anos depois, em janeiro de 2009, Juraci morreu aos 77 anos. E talvez seja aí que a história dele fique mais interessante.

Porque os homens passam. Os governos passam. As eleições passam.

Algumas cidades guardam marcas de quem passou por elas. Fortaleza continuou crescendo. Mudou de prefeitos. Mudou de grupos políticos. Mudou de problemas e de prioridades. Mas algumas das paisagens que Juraci ajudou a construir permaneceram.

Quem passa por uma avenida. Quem entra em um terminal. Quem procura atendimento em um equipamento de saúde. Pode estar, sem perceber, atravessando um pedaço daquela história.

Juraci deixou Fortaleza diferente de como a encontrou. E deixou também uma pergunta que atravessou sua própria época e continuou depois dela: quanto de uma cidade pode carregar a marca de um homem?

No caso de Juraci Magalhães, a resposta ainda pode ser encontrada nas ruas de Fortaleza.

 

 

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