
Fortaleza receberá, em setembro, uma Base Descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS). O equipamento faz parte das medidas adotadas pelo Governo Federal para preparar a região Nordeste para possíveis impactos provocados pelo El Niño.
A informação foi anunciada pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR) nesta quinta-feira (27), durante o Diálogo Regional El Niño 2026/2027, realizado na capital cearense. O encontro reúne representantes de órgãos federais e entidades sociais e percorre diferentes regiões do País com o objetivo de discutir estratégias de prevenção diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.
“A gente não consegue ainda estabelecer quais vão ser todos os efeitos (do fenômeno climático). Isso vai sendo observado ao longo do tempo. Mas a principal medida que a gente pode fazer nesse momento é se prevenir, se articular e se organizar para efeitos que possam acontecer”, disse Josué Rocha, secretário-executivo da SGPR.
Ao todo, três bases descentralizadas do SUS serão instaladas no Nordeste. A primeira já funciona em Salvador (BA), enquanto a unidade de Fortaleza tem implantação prevista para setembro. A terceira será instalada em Recife (PE) até o fim de 2026.
Segundo Rocha, as estruturas funcionarão como pontos de mobilização de profissionais da saúde em situações de calamidade. “O objetivo é ter uma resposta pronta para a necessidade de urgência dos profissionais de saúde. Ela não faz um atendimento à população, mas se há um desastre, uma emergência climática, os profissionais são prontamente reunidos na base para responder a essa situação”, cita Rocha.
A criação das bases está entre as iniciativas articuladas pelo Governo Federal para reduzir os impactos de possíveis ocorrências relacionadas ao fenômeno climático. Um comitê formado por diferentes ministérios acompanha informações, reúne dados e desenvolve ações em conjunto com governos estaduais e municipais.
O Diálogo Regional El Niño 2026/2027 também contou com representantes do Ministério das Cidades, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Entidades apresentam demandas durante encontro
Durante a reunião, organizações da sociedade civil apresentaram preocupações relacionadas aos possíveis efeitos do El Niño. O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical e pode provocar mudanças nos padrões de temperatura e precipitação, com possibilidade de intensificação de eventos extremos.
Entre os participantes estavam Shirley Almeida e Fátima Veras, representantes do Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras Artesanais, ligado à Igreja Católica e voltado ao acompanhamento de comunidades em situação de vulnerabilidade.
“As comunidades pesqueiras já sofrem com muitas invisibilidades e o El Ninõ vem impactar diretamente a população das águas. Aqui no Ceará nós acompanhamos comunidades no sertão, por exemplo, então a falta de água, que está previsto ter secas, vai impactar a produção dos açudes e assim as suas vidas e a sua soberania. Então a gente vem tentar compreender como é que o Governo vai atuar na perspectiva da seguridade social e do acompanhamento dessas comunidades”, explica Shirley.
A líder religiosa Iyalorisá Mirella Oxumniaominle, do terreiro de Candomblé Ilê Àse Osun Omolú, em Pindoretama, também participou do encontro. Ela buscou informações sobre as medidas que poderão ser destinadas aos povos de terreiro em um cenário de emergência climática.
“A gente veio para entender o que nos espera, entender onde a gente vai começar a se preocupar, tendo em vista que a pandemia gerou um impacto muito grande e os terreiros supriram isso com o seu povo e as suas comunidades. A gente teve um papel crucial na pandemia e a nossa preocupação também é a questão alimentar, tendo em vista que tudo que o terreiro gera, ele é gerado para o seu entorno”, diz.
Além da base do SUS, Fortaleza também deverá receber um Centro de Informação em Saúde e Clima (Cisc). O espaço ainda está em desenvolvimento e terá a função de “coletar e analisar dados de ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas, incêndios florestais e períodos de baixa umidade do ar”.


