
O número de consumidores negativados no Ceará aumentou 6,4% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço ocorreu após uma desaceleração registrada em junho e ficou abaixo do crescimento nacional, de 7,8%. Os dados foram divulgados na edição de agosto do Radar do Varejo Cearense, produzido pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE) em parceria com o SPC Brasil.
O levantamento aponta que 9,9% dos consumidores negativados no Estado possuem dívidas com até 90 dias de atraso. Já 25,8% estão inadimplentes há um período entre quatro e cinco anos.
O valor médio das dívidas acumuladas por consumidor também aumentou. Em julho, a média chegou a R$ 4.767, contra R$ 4.436 no mesmo período de 2025. Apesar da alta, o ritmo de crescimento da inadimplência ainda permanece abaixo dos níveis registrados em meados do ano passado.
Para o presidente da FCDL-CE, Freitas Cordeiro, o desempenho do comércio no primeiro semestre demonstra capacidade de recuperação, mas alguns fatores exigem atenção.
“O primeiro semestre de 2026 atestou a capacidade de reação e de crescimento do comércio do Ceará. As vendas do varejo avançaram 4,0%, superando a média nacional, com destaque para segmentos como móveis e eletrodomésticos, artigos de uso pessoal e doméstico e veículos. Contudo, precisamos olhar com atenção para alguns sinais que exigem responsabilidade: o crescimento da inadimplência, o elevado custo do crédito e a necessidade de manter a inflação sob controle”, observou.
Varejo cresce acima da média nacional
Enquanto a inadimplência avança, o comércio varejista cearense apresentou resultado positivo nos primeiros seis meses de 2026. Segundo o IBGE, as vendas do varejo restrito cresceram 4,0% em relação ao primeiro semestre de 2025. O índice ficou mais de duas vezes acima da média brasileira, que foi de 1,9%.
Considerando o varejo ampliado, que inclui um número maior de segmentos comerciais, o Ceará registrou alta de 3,8%, novamente acima do resultado nacional.
Na comparação anual, o comércio ampliado cearense apresentou estabilidade ou queda apenas em fevereiro e abril. O Radar também reúne informações da Pesquisa Anual do Comércio do IBGE, que aponta a existência de 45.821 empresas comerciais no Ceará em 2024. Naquele ano, o setor alcançou receita bruta de R$ 182,6 bilhões.
Os números indicam um cenário favorável para as vendas no Estado, embora o aumento da inadimplência, o custo do crédito e o impacto das dívidas sobre o orçamento das famílias continuem entre os principais desafios para o setor.
O Radar do Varejo Cearense é elaborado pela FCDL-CE a partir de indicadores oficiais sobre a economia do Estado e o comportamento do comércio. A publicação tem como objetivo auxiliar empresários do setor na análise do cenário econômico e na tomada de decisões.

