Embora seja mais associado ao câncer de pele, o melanoma também pode surgir em outras partes do corpo. A doença tem origem nos melanócitos, células produtoras de melanina, e pode atingir os olhos, mucosas e órgãos dos sistemas genital e digestório. Segundo a Fundação do Câncer, essas formas extracutâneas são menos frequentes, mas apresentam maior risco de disseminação para outros tecidos e órgãos. O tema é abordado na 12ª edição do boletim “Análises e Tendências em Câncer”, que reúne dados de registros hospitalares de oncologia no Brasil.
Entre 1990 e 2021, foram analisados 42.255 casos de melanoma, sendo 92,2% cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa. Entre os melanomas extracutâneos, foram registrados 1.324 novos casos, dos quais 75% tiveram o olho como localização primária, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e pelo sistema digestório (8,2%).
O melanoma ocular pode não apresentar sintomas no início e ser identificado em exames de rotina. Entre os possíveis sinais estão visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda da visão.

No melanoma de pele, a cirurgia foi o principal tratamento inicial realizado pelo SUS entre 2014 e 2023, correspondendo a 84,7% dos procedimentos registrados. O Sudeste apresentou o maior percentual de cirurgias, com 89,6%, enquanto o Norte teve 64,4%.
O levantamento também aponta dificuldades de acesso à assistência especializada, especialmente no Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisaram se deslocar para realizar tratamento oncológico. Além da cirurgia e da quimioterapia, medicamentos imunoterápicos como nivolumabe e pembrolizumabe passaram a ser utilizados em casos de melanoma metastático.
Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos de melanoma de pele no Brasil, sendo 51,3% em mulheres e 48,7% em homens. O tronco concentrou 22,4% dos tumores, seguido pelos membros inferiores (19,1%) e superiores (13,8%).
Em 2023, o Inca contabilizou 2.047 mortes pela doença. Para 2026, a estimativa é de 9.360 novos casos de melanoma de pele no país, o equivalente a 19,2 ocorrências por milhão de habitantes. A exposição à radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco para os cânceres de pele.
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