A necessidade de atrair investimentos para ações que o caixa do poder público não pode bancar, diante de um cenário de crise econômica e enxugamento dos gastos, fez com que o governador Camilo Santana buscasse o apoio de empresas privadas para um novo sistema de dessalinização da água do mar. Ontem, o governador lançou o edital de solicitação de manifestação de interesse para elaboração dos estudos de uma planta de dessalinização de água marinha na Região Metropolitana de Fortaleza.
Durante evento, na sede da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Camilo explicou que as empresas interessadas na parceria devem preparar e apresentar suas propostas no prazo máximo de até dois meses após a data da publicação oficial do edital, que está prevista para hoje (14), no Diário Oficial do Estado.
Com o desenvolvimento e implementação do novo sistema de dessalinização, será gerado 1m³ por segundo de água dessalinizada para a rede de abastecimento da Capital. “A planta envolve a geração de 1m³ por segundo, o que representa algo em torno de 12 a 15% do consumo de Fortaleza. É muita coisa. E a ideia é que isso seja modular, ou seja, fazermos essa primeira unidade e, ao longo do tempo, outras serem instaladas. Vamos trabalhar para buscar alternativas em médio e longo prazo para que o Estado possa ter outras fontes de água para o consumo humano”, explicou Camilo.
Considerada uma alternativa para garantir o abastecimento humano, diante do severo quadro de escassez hídrica, potencializado por cinco anos consecutivos de seca, a dessalinização da água do mar ainda é uma realidade distante para o poder público por conta do alto custo.
“As empresas fazem o estudo, o Estado vai analisar, escolher a melhor proposta e, depois, com a nova licitação, a empresa fará a construção e operação, com financiamento privado. A participação do Estado será garantir a compra da água”, enfatizou o governador.
De acordo com o documento de seleção, as etapas até a operação da obra são: análise das propostas pelo período de um mês, realização dos estudos pela empresa no prazo de 150 dias, e depois três anos no processo de estabelecimento da relação público-privada, projetos, construção e comissionamento da dessalinização. O contrato a ser firmado entre Estado e pessoa jurídica será de 23 anos. Serão avaliados pontos como viabilidade econômica, demanda, localização, custos e modo de operação.
Ao lado do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, Camilo Santana disse para a plateia formada por políticos e empresários, que a intenção do lançamento do edital é atrair propostas e estudos para que se chegue da melhor forma ao objetivo da planta de dessalinização para a Região Metropolitana de Fortaleza. Ele ainda revelou que, antes mesmo do lançamento da seleção, já surgiram empresas nacionais e internacionais interessadas na elaboração do projeto.
Para Roberto Cláudio, pensar novas formas de garantir o abastecimento de Fortaleza e municípios da RMF é “fundamental”. Em entrevista, ele lembrou das ações do governador Camilo Santana, feitas em curto período dentro da região, que foram responsáveis para garantir água à população e evitar a necessidade de racionamento em meio à crise hídrica vivida pelo Ceará.
“Só a Região Metropolitana concentra mais de 40% da população do Estado do Ceará. Essa é a população que mais demanda água. Na perspectiva do futuro, essa planta de dessalinização garantirá uma oferta muito mais estável, programada e segura para esse crescimento da cidade. É uma iniciativa moderna e criativa”, argumenta Roberto Cláudio.
Na ocasião, o presidente da Cagece, Neuri Freitas, enfatizou que os projetos deverão trazer o roteiro completo de como a obra deverá ser executada pela empresa a ser contratada futuramente pelo Governo do Ceará. Segundo o dirigente, há cuidados técnicos e pesquisas que precisam ser traçados de modo preciso para que a dessalinização ocorra com sucesso. “A planta tem que ser instalada e ser pensada para se interligar na planta atual da Cagece. Então, vai ter que se buscar o melhor ponto de injetamento, de reservação, pois essa água dessalinizada vai se misturar com a outra água”, exemplifica.
O presidente da Fiec, Beto Studart, ressaltou que a ação do Governo vai ajudar a fomentar o crescimento econômico do Estado, atraindo investidores e idealizadores de novos projetos. “O governador dá um passo muito importante junto à Cagece. A água é um serviço fundamental tanto para as pessoas, quanto para o desenvolvimento da economia”, disse.


