George Lucas Diniz Alencar tem nome de cineasta, mas optou pela matemática. Nascido em Fortaleza, ele é um dos seis jovens que foram selecionados pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) para representar o País na Olimpíada Internacional de Matemática, que acontece no Brasil pela primeira vez. O evento acontece de 17 a 23 de julho, no Rio de Janeiro. Ele e os seus colegas de time disputarão espaço com representantes de 110 países.
É a segunda vez que ele representará o Brasil na maior competição mundial de matemática. Na última edição, em Hong Kong, ele ganhou uma medalha de bronze. Aos 18 anos, George Lucas conta que o interesse em matemática surgiu ainda criança, e foi estimulado pelos pais. Com interesse em cursar engenharia elétrica ou matemática, ele espera que a seleção de matemática empolgue tanto quanto a de futebol, e ajude os jovens brasileiros a terem uma visão diferente sobre a disciplina.
“Eu acho que o fato de ser no Brasil vai incentivar os jovens brasileiros a verem a matemática com outros olhos”, destacou George, tendo a consciência de que matéria costuma ser temida por muitos estudantes.
Perfil dos craques
Se levarmos em consideração os prêmios que todos ganharam, podemos dizer que o Brasil apresentará no Rio uma seleção de craques. Vindo da cidade de Passa Tempo, em Minas Gerais, João César Campos Vargas, de 19 anos, é heptacampeão da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Ele é um dos quatro brasileiros que foram aceitos esse ano pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) este ano.
Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, de 17 anos, é um veterano em competições internacionais. Ele conquistou medalhas de prata nas duas últimas edições. Ano passado, ele fez parte da seleção que conquistou a melhor classificação brasileira no evento, um 15.o lugar na classificação geral.
O paulistano André Yuji Hisatsuga, de 17 anos, é medalhista de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) há quatro anos. Ele já conquistou prata na competição do Cone Sul e ouro na Olimpíada de Matemática dos Países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. É a estreia dele na maior competição de matemática para estudantes do mundo.
Com 16 anos de idade, Bruno Brasil Meinhart, do Ceará, tem medalhas de ouro, prata e bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), além de prêmios em outras competições. Ele participa de olimpíadas da disciplina desde a 5.a série e pretende seguir carreira em Ciências da Computação. Ele acredita que a matemática é fundamental para que consiga um bom desempenho na área profissional que escolheu.
Davi Cavalcanti Sena, de 16 anos, começou a participar de olimpíadas de matemática de maneira despretenciosa, sem estudar, e conseguiu uma menção honrosa. De lá para cá, ele investiu nas competições e conquistou 3 medalhas da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Ano passado, ele conquistou um bronze na competição Iraniana de Geometria Avançada e, este ano, faturou ouro na Olimpíada de Matemática da Ásia e do Pacífico.
Seleção dura
A escolha dos representantes brasileiros na Olimpíada Internacional de Matemática é um trabalho árduo para os estudantes e os avaliadores. A escolha começa a partir dos 18 milhões de participantes da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Os melhores competidores se classificam para outra competição importante, a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Daí, a partir de testes, eles são selecionados para representar o país.
Os estudantes que participam do evento devem estar cursando o Ensino Médio.
Biênio da matemática
A Olimpíada Internacional de Matemática é o evento que abre o Biênio da Matemática, instituído pela lei 13.358, de 2016. O período será celebrado com uma série de eventos nacionais e internacionais que envolvem a disciplina. Um deles é o Congresso Mundial de Matemática, que acontecerá em 2018.
Para Marcelo Viana, diretor geral do Impa, a matemática está em tudo e “é um barato”. Os eventos que acontecerão no Brasil servirão para desmistificar o ensino da disciplina e mostrar a importância dela na construção de um futuro para o Brasil. Ele acredita que os craques matemáticos não devem nada para os craques da bola.
“Não sei qual é o talento matemático do Neymar, mas somos todos bons de bola”, destacou o diretor do Impa.
Vinicius Carrasco, do BNDES, que patrocina o evento, destacou que a educação tem papel fundamental na formação de cidadãos. Já para Hilário Alencar, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, essa série de eventos ajudam a desmistificar a disciplina.
“Quando você fala em matemática, as pessoas conhecem essa palavra é muitas odeiam. O biênio vem mostrar que essa palavra é importante para todo o país. Isso pode começar já no ensino fundamental”, refletiu Hilário


