Um encontro que começou em janeiro deste ano, por meio de um site de relacionamentos, fez com que uma paulista e técnica de enfermagem de 44 anos vivenciasse um pesadelo que durou aproximadamente um ano. Após passar por estupro, tentativa de feminicídio e ameaças, a mulher foi mantida em cárcere por aproximadamente um dia, dentro do apartamento de Pablo Pena Pinto, de 43 anos, no bairro Meireles.
Os gritos de socorro foram ouvidos pelas vizinhas, que se reuniram com a administração do condomínio e denunciaram a situação à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Foi realizada uma operação que resgatou a paulista e prendeu Pablo. As informações são da titular da DMM, Érica Moura. A delegada diz que, em depoimento, a vítima revelou que, no mês de março, o companheiro desferiu um tiro contra ela, que atingiu o peito, no antigo apartamento que o casal morava, na Praia de Iracema. Pablo a deixou na esquina de um hospital e, na unidade de saúde, ela mentiu dizendo ter sido vítima de um assalto. O relacionamento abusivo continuou em meio ao medo e ameaças.
A filha da vítima esteve na delegacia e, conforme Érica Moura, a jovem disse que chegou a se afastar da mãe, devido ao relacionamento. Contou ainda que tinha conhecimento da violência a que a mãe era submetida.
Motivo
A causa do cárcere privado, conforme o depoimento da vítima, foi a decisão de terminar o relacionamento, após série de agressões. Pablo teria chamado a técnica de enfermagem para uma conversa e quando ela relatou que não teria mais volta, foi trancada no quarto. Ele disse à Polícia ser dependente de crack e cocaína, mas os policiais não encontraram droga no local.
Operação
Quando a Polícia chegou, a mãe de Pablo, uma aposentada de 85 anos, estava no apartamento e chegou a dizer que não havia ninguém em casa, a fim de proteger o filho. A Polícia teve que arrombar a porta do apartamento e a do quarto, pois Pablo não abria. Conforme Érica, a idosa é debilitada, passou por cirurgia e não tem condições de ficar sozinha. A Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres foi acionada para acompanhar situação dela e da vítima do cárcere.
Em janeiro, logo no começo do relacionamento, a mulher já havia registrado Boletim de Ocorrência (B.O.) contra Pablo sobre o estupro. A paulista mostrou marcas de agressão. A delegada destaca a iniciativa da vizinhança por denunciar. “Elas buscaram ajuda para a vizinha que pedia socorro o tempo todo, com receio dela chegar a ser morta. Elas vieram para denunciar os fatos para mim”, relatou.
Antecedentes
Graduado em medicina na Bolívia, Pablo é natural do Amapá e responde na Justiça por outro crime de cárcere privado. Ele chegou a ser preso pela Delegacia da Mulher, em 2015, depois de agredir outra ex-companheira. Ele também responde por delitos como posse ilegal de arma de fogo, uso de drogas, crime de trânsito, lesão corporal. A delegada disse que ele comemorava o fato de ter agredido outras mulheres e ter permanecido pouco tempo preso.


