*Por Roberto Floriani Carvalho
A Constituição Federal brasileira trata a vida como o bem maior dos direitos fundamentais, destacando a saúde com um direito de todos cidadãos e um dever do Estado. Mais de 30 anos após ser aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte e promulgada, inúmeros e recorrentes problemas na saúde pública tornam o direito constitucional à saúde cada vez mais difícil. Você já deve ter escutado muitas histórias negativas envolvendo a saúde pública brasileira. Não é mesmo?
É inegável que ao longo dos anos foram criados inúmeros programas governamentais que tiveram por objetivo viabilizar um atendimento com excelência, mas a longo prazo não surtiram efeito e hoje vemos um sistema decadente e sucateado. Analisando o cenário que se repete há mais de três décadas, podemos ligar os problemas da saúde nacional, principalmente, a falta de uma gestão eficiente, profissional e otimizada.
A utilização dos recursos é equivocada, dificultando um melhor atendimento à população. As tabelas de pagamento para procedimentos médicos, realização de exames e internamentos hospitalares são obsoletas. Isso acaba diminuindo drasticamente a rede de unidades de saúde credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), trazendo problemas visíveis ao atendimento quantitativo e qualitativo.
O péssimo uso dos recursos tornam as condições estruturais das Unidades Básicas de Saúde e dos hospitais cada vez mais deploráveis. Frequentemente, encontramos unidades em manutenção, funcionando muitas vezes em prédios improvisados, com instalações precárias, dificultando ainda mais a vida da população. Nas unidades de pronto atendimento, responsáveis pelo atendimento secundário da população, é muito comum depararmos com a falta de equipamentos médicos, mobílias e, até mesmo, de medicamentos básicos, e isso contribui para a superlotação dos hospitais públicos, onde os brasileiros enfrentam horas e horas de filas implorando por consultas, exames de diagnóstico ou cirurgias eletivas.

FOTO: NAILANA THIELY / ASCOM UEPA
DATA: 06.12.2016
BELÉM – PARÁ
Pensando na parte prática, a falta de um trabalho organizado e efetivo na área da medicina preventiva também contribui diretamente para o quadro negativo. Caso fosse realizada corretamente, a prática diminuiria consideravelmente os atendimentos no setor de Urgência e Emergência da rede (Unidades de Pronto Atendimento e Hospitais).
Para completar, um problema recorrente e que persiste sem solução. O sistema de saúde pública sente a falta, em quantidade e qualidade, de profissionais para o atendimento básico e especializado à população de cidades do interior do Brasil. Se nos grandes centros urbanos o problema é evidente, nas cidades menores ele se torna ainda mais alarmante. Uma solução para esse problema seria a adoção de um programa atraente de plano de carreira que incentivaria os profissionais a atuar em zonas periféricas e depois, com modelos de promoção, sendo realocados em grandes cidades.


