
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) manifestou preocupação com a proposta de criação de uma taxa mínima para entregas em aplicativos de delivery. Segundo a entidade, o tabelamento pode provocar uma elitização com o aumento nos custos do serviço e acabar tornando o delivery mais caro para o consumidor.
De acordo com a associação, a medida prevê a fixação de um valor mínimo por entrega, estimado em cerca de R$ 8,50. Na avaliação da entidade, essa regra pode elevar as taxas de entrega em até 68% e fazer com que o preço final dos pedidos aumente em aproximadamente 25%. A consequência, segundo o setor, seria a redução da demanda e impacto direto no faturamento de bares e restaurantes.
Pontos críticos levantados pela Abrasel
Outro ponto destacado pela Abrasel é que a proposta estabelece um valor único para todo o Brasil, sem considerar as diferenças regionais de custo de vida. Para a entidade, essa padronização pode dificultar a operação do delivery em cidades menores e em regiões periféricas, onde o serviço depende de preços mais acessíveis para continuar funcionando.
A associação também alerta que o encarecimento das entregas pode tornar o delivery menos acessível para parte da população, criando um cenário em que apenas consumidores com maior poder aquisitivo continuariam utilizando o serviço com frequência.
A associação defende que os preços continuem sendo definidos pelo próprio mercado, preservando a flexibilidade do setor e evitando impactos negativos para restaurantes, consumidores e entregadores.
De acordo com o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, a discussão está no Congresso e o novo modelo não é bem visto pela categoria. “Quando se fixa um valor mínimo por entrega, o efeito imediato é encarecer o serviço e espantar quem pede. Isso diminui o movimento dos restaurantes e reduz a renda total dos entregadores. O caminho mais inteligente é pensar em remuneração por hora, que garante dignidade ao trabalhador sem elitizar o delivery”, propos.

