Os principais açudes do Ceará encerraram 2025 com redução no volume de água armazenada em comparação ao ano anterior. Dos cinco maiores reservatórios do Estado, quatro apresentaram queda nos níveis: Castanhão, Banabuiú, Araras e Figueiredo. Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).
A maior redução percentual foi registrada no açude Araras, que terminou o ano com 10,27% a menos de água em relação ao fim de 2024. Em seguida aparecem o Figueiredo, quinto maior reservatório do Estado, com queda de 7,28%; o Banabuiú, terceiro em capacidade, com diminuição de 7,23%; e o Castanhão, maior açude da América Latina, que teve retração de 6,71% no volume armazenado.

Entre os grandes reservatórios cearenses, apenas o Orós apresentou crescimento. O segundo maior do Estado fechou 2025 com 72,95% da capacidade, resultado superior ao registrado no ano anterior, após período de sangria entre abril e julho.
Mesmo com a redução nos principais açudes, o Ceará iniciou o ano com cerca de 39,9% da capacidade hídrica total armazenada. De acordo com a Cogerh, o percentual é considerado estável dentro do histórico recente, embora haja diferenças entre as bacias do Estado.
“Se a for ver pela média geral, 40% seria uma acumulação boa para o período, já que a nossa acumulação média gira em torno dos 30%. Porém, nós temos uma variação espacial muito grande dessa água. Enquanto temos bacias com mais de 70%, temos na região central bacias em torno de 10%”, demonstra o diretor presidente da Cogerh, Yuri Castro.
Atualmente, bacias localizadas na região central concentram os menores volumes. O Banabuiú opera com cerca de 27% da capacidade, enquanto a bacia do Médio Jaguaribe, onde está o Castanhão, registra aproximadamente 21%. Essa condição mantém o alerta para áreas mais vulneráveis, caso não haja reposição satisfatória nos próximos meses.
Alternativas
A Cogerh destaca que obras estruturantes, como o sistema Malha D’água e a duplicação do Eixão das Águas, podem diminuir os impactos no abastecimento em caso de agravamento do cenário. Outras alternativas, como o Cinturão das Águas do Ceará, são consideradas apenas em situações extremas.
Expectativas
As condições climáticas seguem sendo monitoradas, mas as projeções iniciais indicam que o início de 2026 deve ter chuvas abaixo da média. A previsão é da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

“Hoje temos um vórtice atuando. Porém, ele está muito localizado a leste, o que não favorece precipitação para a gente. […] Temos um Atlântico Norte muito mais quente que a média, o que acaba desfavorecendo qualquer tipo de convecção mais intensa no Nordeste de maneira geral”, explica o diretor da Funceme, Francisco Júnior.
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