
Uma pesquisa desenvolvida há mais de 40 anos pela Universidade Estadual do Ceará está prestes a alcançar escala industrial no Ceará. A instituição anunciou a implantação da primeira biofábrica voltada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos no município de Jaguaretama, no interior do Estado.
A expectativa é que a unidade entre em funcionamento ainda no fim do primeiro semestre de 2026. A tecnologia começou a ser desenvolvida na década de 1980, nos laboratórios da Faculdade de Veterinária da Uece, através das pesquisas coordenadas pelo professor emérito José Ferreira Nunes.
Inicialmente, os estudos buscavam utilizar a água de coco em processos de conservação de sêmen caprino e ovino, área que rendeu uma das primeiras patentes biológicas internacionais do Brasil voltadas à reprodução animal.
Com o avanço das pesquisas, os cientistas passaram a trabalhar com a chamada ACP (Água de Coco em Pó) ampliando as possibilidades de uso da substância em áreas como:
- nutrição clínica;
- regeneração de tecidos;
- preservação de órgãos;
- biotecnologia;
- nanomedicina.
A biofábrica instalada em Jaguaretama terá capacidade para processar cerca de dois mil litros de matéria-prima diariamente. Um dos principais produtos será o ACP Lacte, composto nutricional desenvolvido a partir da mistura entre água de coco em pó e leite de cabra.
Água de coco em pó – utilidades
Segundo os pesquisadores, o objetivo é atender principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade nutricional, como crianças, idosos e pacientes hospitalizados. Os estudos também apresentaram resultados promissores na área da saúde.
Pesquisas ligadas à linha ACP Derma apontaram aplicações no tratamento de feridas crônicas e casos de pé diabético, reduzindo o tempo de cicatrização dos pacientes.
Além do impacto científico, a iniciativa também fortalece a conexão entre universidade, setor produtivo e agricultura familiar. A implantação da biofábrica reúne parcerias com entidades ligadas à caprinocultura e cooperativas da região do Vale do Jaguaribe.
No Brasil, o Ceará é o pioneiro no desenvolvimento deste produto. No restante do mundo, alguns países são referências neste tipo de atividade:
- Filipinas;
- Tailândia;
- Vietnã;
- Indonésia;
- Índia.
Em 2025, toda a cadeia exportadora de produtos à base de coco das Filipinas faturou aproximadamente US$3,57 bilhões, número que contou com forte contribuição da venda da água de coco em pó.


