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Alien: Romulus é o retorno e o começo certo para a franquia (Crítica)

Dirigido por Fede Alvarez (A Morte do Demônio), Alien: Romulus é o retorno da franquia para sua originalidade, servindo tanto para os fãs antigos quanto para os inéditos. Mesmo talvez se perdendo ou exagerando nas homenagens, o projeto correspondeu ao potencial de um xenomorfo.

Ambientado entre o primeiro e o segundo filme, este novo projeto da franquia mostra um grupo de jovens invadindo uma estação espacial abandonada, com o objetivo de usá-la para chegarem a um novo planeta colonizado pela humanidade. No entanto, o grupo é pego de surpresa ao descobrirem que há uma colônia de xenomorfos no local, e agora precisam fugir sem deixar com que os aliens os acompanhem.

Mesmo antes de ser um terror, o filme original da franquia é uma ficção-científica, no qual em seu primeiro ato faz a construção do seu universo através da cartilha do gênero, para apenas depois de todo o terreno preparado, ele, de fato, se tornar um terror. E Alien: Romulus pega essa característica do primeiro filme para ser além de uma nova história para os fãs, servindo também como um começo para aqueles que irão conhecer a franquia agora.

A introdução dessa narrativa é certeira, além de ter uma conexão direta com o filme original, para os novos fãs consegue deixar tudo claro como esse universo funciona. Através dos personagens de Cailee Spaeny (Priscilla) e David Jonsson (Rye Lane) é exposto que esse mundo possui robôs, tecnologia retro futurista e humanidade vivendo em outros planetas. Fora que é uma crítica de como nosso sistema econômico não tem interesse em que todos prosperem.

Depois de toda introdução, finalmente chegamos à estação espacial e é aí que a direção do projeto brilha de verdade. Alvarez é competente enquanto o filme se assume apenas como uma ficção-científica, mas quando se torna um terror, é que o seu trabalho é notável. O cineasta uruguaio parte do princípio de que quanto menos vemos o monstro, mais assustador ele é, e é justamente isso que ele faz com o xenomorfo.

Além disso, o diretor também optou em utilizar o máximo de efeitos práticos com o alien, mantendo a essência do filme original. No entanto, é perceptível que isso é uma escolha criativa, buscando deixar o monstro mais crível e até mais assustador. Junto há isso, há o bom trabalho de Naaman Marshal (Batman: Cavaleiro das Trevas) na direção de arte, no qual faz com que todo o cenário, as armas e os aparelhos agreguem a proposta da narrativa.

O elenco do projeto também é algo que merece ser pontuado, visto que é formado por atores bastante jovens para o segmento. Muitos acham que é mais fácil atuar em filmes de terror, mas pessoalmente penso que passar medo e tensão em uma interpretação é um dos trabalhos mais difíceis. E os atores do projeto conseguem fazer tudo isso bem, fora suas caracterizações que os tornam únicos e marcantes.

Mas dentre todos, os que mais se destacam são justamente Spaney e Jonsson. A relação de ambos é o que mais gera compaixão do público com todos os personagens. A atriz esbanja coragem e presença de tela, algo muito contrastante em relação aos seus últimos trabalhos em Priscilla e Guerra Civil, expondo como a artista possui polivalência e potencial. Enquanto o ator britânico entrega uma performance admirável, uma vez que ele basicamente interpreta dois personagens em um só, sendo que cada um é muito diferente do outro, mas todos bem vividos.

O roteiro do projeto, assinado por Alvarez e por Rodo Sayagues (O Homem nas Trevas), é bem competente. Porém, talvez para alguns espectadores a sua pouca originalidade seja um problema, visto que ele pega muitos aspectos emprestados do primeiro filme.

Por isso, Alien: Romulus pode ser comparado a projetos como Pânico 5 e Star Wars: O Despertar da Força, que, além de serem homenagens aos primeiros filmes de suas respectivas franquias, comercialmente falando ele tem a missão de trazer novos fãs. Isso faz com que ele basicamente seja um soft reboot.

Particularmente, não vejo isso como um problema, pois é uma modernização da história original muito bem feita. No entanto, apesar de ter suas originalidades, eu vejo que o roteiro repete até demais algumas coisas do primeiro longa-metragem, sendo alguns momentos meio desnecessários. Então fica o questionamento: até que ponto é uma homenagem? E quando começa a ser uma cópia?

Por fim, Alien: Romulus é competente em grande parte de seus aspectos, servindo como um retorno a uma ótima história da franquia, após dois filmes mal recebidos, fora que serve como um bom começo para os novos fãs. Além disso, traz de volta a essência de terror e sobrevivência que o xenomorfo possui, mas sem esquecer suas características de ficção-científica.

Nota: 8,5/10

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