Diante do aumento dos preços do cacau, supermercados e indústrias de alimentos têm buscado alternativas para suavizar os impactos sobre os consumidores. Redes varejistas têm apostado em promoções e na redução de suas margens de lucro em determinados itens, garantindo que os clientes ainda tenham opções acessíveis para as compras de Páscoa. A expectativa é que o preço dos ovos de páscoa aumente cerca de 15%, conforme a Associação Cearense de Supermercados (Acesu).
No caso da indústria de chocolates, a estratégia passa por ajustes na composição dos produtos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), as fabricantes vêm reduzindo a quantidade de cacau nos ovos de Páscoa ao incluir mais recheios e coberturas.
Segundo o presidente do Conselho Diretor da Abia, Gustavo Bastos, os custos elevados obrigaram a indústria a repassar parte dos aumentos aos consumidores, mas sem refletir integralmente a alta da matéria-prima. Ele também mencionou que a Páscoa deste ano seguirá a tendência de preços observada no mercado de chocolates ao longo dos últimos meses.

A escassez da matéria-prima tem sido um dos principais desafios do setor. A Abia destacou que, em junho de 2024, o preço do cacau alcançou um aumento de quase 300%. A crise climática e sanitária nos principais países produtores da África tem reduzido a oferta global do cacau. No entanto, o Brasil, que já teve um papel de destaque nesse mercado, está retomando sua produção e atualmente ocupa a sétima posição no ranking mundial.
Desempenho da Indústria
Apesar dos desafios, o setor alimentício brasileiro atingiu um faturamento recorde de R$ 1,277 trilhão em 2024, um crescimento de 9,9% em relação ao ano anterior. No Ceará, a indústria de alimentos movimentou R$ 17 bilhões e gerou mais de 51 mil empregos diretos.
João Dornellas, presidente-executivo da Abia, ressaltou que o setor enfrentou dificuldades com a valorização do dólar, que encarece as matérias-primas cotadas na moeda americana. “As pessoas de custos não são exclusividade do Brasil. No segundo semestre, o dólar se valorizou fortemente e isso afeta os custos. A gente é produtor de matérias-primas cotadas em dólar, então, subiu o dólar, sobe esse material, porque a procura no exterior aumenta”, comentou.
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