Tonho de Dedí, do PT, tem 43 anos, é solteiro, declara ao TSE a ocupação de vereador e tem superior completo. Ele tem um patrimônio declarado de R$ 42.000,00 (Foto: reprodução/internet)
“Faça o que digo, não o que faço”. A frase que vem de um ditado popular traduz a postura do indivíduo que possui atitudes diferentes daquilo que costuma defender em seus discursos. Um exemplo claro, que tomou enorme proporção, vem de Salitre, localizado a 570km de Fortaleza. No município da região do Cariri Oeste, o vereador “Tonho de Dedí” promoveu aglomerações e protagonizou outras quebras de protocolo que ferem o combate à Covid-19. O que surpreendeu a todos de forma negativa é que, além de ser um defensor das medidas sanitárias e da Saúde como um todo, o parlamentar é técnico em enfermagem por formação.
O fato gerou revolta à população de Salitre quando o próprio vereador compartilhou uma foto no seu status do WhatsApp. Na imagem, Tonho aparece ao lado de 19 pessoas, sem utilizar máscara de proteção e desrespeitando o distanciamento social. Além de ficar “manchado” em meio à sociedade de Salitre, que enfrenta sérios problemas com a pandemia, o parlamentar prejudica a sua própria trajetória política que já passa por um decréscimo. Em seu primeiro mandato, o então candidato a vereador pelo PT foi eleito obtendo 728 votos. Já em 2020, seus votos caíram em torno de 64,6%.
De acordo com as pessoas que passaram próximo ao ambiente do acontecido, os presentes estavam utilizando um “paredão” de som e fazendo uso de bebida alcóolica – Foto: reprodução/WhatsApp
Ataque à imprensa
No lugar de se retratar com o povo de Salitre, o vereador protagonizou um outro prejuízo à sociedade. De forma desmedida e injustificada, Tonho de Dedí proferiu ataques à imprensa, quando criticou os veículos que publicaram matérias em torno da irresponsabilidade cometida pelo parlamentar. Além de tecer críticas sem fundamentação à imprensa, Tonho desmerece e desqualifica o cumprimento do papel social do jornalismo ao afirmar que o jornalista Ferreira Júnior, autor das matérias, “não é tão inteligente a ponto de fazer a referida matéria”. Na tentativa de encobrir o erro que cometeu, Tonho insiste em denegrir à imprensa, ao afirmar que o jornalista e “sua corja” tentam difamá-lo.
Além disso, o vereador chegou a invadir os estúdios de uma rádio local. Na ocasião, em vez de solicitar o direito de resposta por escrito, Tonho quis intimidar a imprensa ao tentar forçar a abertura de um espaço para que ele pudesse fazer suas colocações em um programa noticioso que já estava perto de seu encerramento.
Contradições
A ação do vereador ocorre em um dos momentos mais críticos da pandemia em Salitre. De acordo com a última atualização da plataforma Integrasus, da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o município já soma 1.112 casos confirmados da doença. Destes, 19 pacientes vieram a óbito. Agindo diferente do que prega quando descumpre as medidas sanitárias, o parlamentar continua com as suas contradições por conta do seu discurso desequilibrado.
Ainda na sessão da Câmara Municipal, Tonho chegou a afirmar que a Canta Galo FM, rádio que noticiou a aglomeração liderada pelo parlamentar, se configura como uma emissora que não prestou nenhum serviço à sociedade. Entretanto, Tonho parece esquecer de que ele mesmo foi autor de um requerimento à Presidência da Mesa Diretora solicitando que as sessões da Casa Legislativa fossem transmitidas pela Rádio Canta Galo FM, por ser um instrumento de comunicação de grande relevância para Salitre.
Denúncia
Lideranças do município do Cariri Oeste articulam levar o caso ao Ministério Público. De acordo com fontes que preferiram não se identificar, Tonho é funcionário concursado no município de Salitre, onde supostamente exerce a função de professor. O parlamentar também é funcionário concursado no Piauí e, pelo menos em teoria, deveria estar exercendo a função de técnico de enfermagem no Estado vizinho. Junte-se a isso a ocupação de momento como vereador de Salitre.
A expectativa é de que as autoridades competentes possam iniciar um investigação minuciosa. O objetivo seria averiguar se Tonho teria condições de desempenhar suas funções com o tamanho acúmulo de cargos em dois Estados distintos.
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