Os gastos públicos com o Carnaval 2026 já somam dezenas de milhões de reais nos municípios cearenses, conforme dados reunidos no portal Carnaval Transparente 2026, lançado pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE). As informações detalham despesas declaradas pelas prefeituras, com predominância de investimentos na contratação de atrações artísticas, enquanto outras categorias apresentam registros inexistentes ou pontuais.
Entre os municípios com maiores valores declarados, se destaca Paracuru, que informou R$ 5,65 milhões destinados exclusivamente a atrações musicais, incluindo artistas nacionais de grande porte. O cachê mais alto é o de Wesley Safadão, no valor de R$ 1,3 milhão. Em seguida, os cantores Natanzinho Lima (R$ 850 mil), Dennis DJ (750 mil) e Henry Freitas (R$ 700 mil).
Logo depois aparece Aquiraz, com R$ 6,2 milhões aplicados em shows, sem registro de despesas com organização do evento, publicidade, ações urbanísticas ou cessão de espaços públicos. Zé Neto e Cristiano é atração mais cara do evento, totalizando R$ 954 mil. DJ Alok (R$ 950 mil), Natanzinho Lima (R$ 850 mil), Pedro Sampaio (R$ 750 mil) e Felipe Ret (R$ 650 mil) também estão entre as maiores despesas.

Aracati declarou R$ 6,05 milhões em gastos com atrações. As despesas foram puxadas, principalmente, pelos cachês de Léo Santana (R$ 1,5 milhão), Daniela Mercury (R$ 1,1 milhão) e Natanzinho Lima (R$ 850 mil).
Granja informou R$ 3,1 milhões direcionados à contratação de artistas, enquanto Acaraú registrou R$ 2,5 milhões com atrações musicais. Outros municípios também declararam valores expressivos. Beberibe informou R$ 2,96 milhões em shows e R$ 71 mil em campanha visual contra o assédio. Itarema declarou R$ 2,5 milhões, Crateús registrou R$ 2,46 milhões, São Gonçalo do Amarante declarou R$ 1,95 milhão e Camocim informou R$ 1,4 milhão, todos concentrados em apresentações artísticas.
Na faixa intermediária, aparecem municípios como Canindé, com R$ 1,66 milhão; Tianguá, com R$ 1,5 milhão; Itaiçaba, com R$ 1,26 milhão; Viçosa do Ceará, com R$ 1,2 milhão; e Barroquinha, com R$ 1,1 milhão. Todos os registros são direcionados para atrações.

Já em cidades de menor porte ou com eventos mais modestos, os valores declarados são inferiores: Solonópole (R$ 800 mil), Itapipoca (R$ 725 mil), Pentecoste (R$ 600 mil), Palhano (R$ 321 mil), Catarina (R$ 175,2 mil) e Carnaubal (R$ 150 mil). Maranguape registrou apenas R$ 24 mil com a contratação de artistas locais, enquanto Itaitinga informou R$ 28,6 mil em atrações, além de despesas com publicidade (R$ 5,6 mil), tendas de acolhimento (R$ 15 mil) e cessão de espaço público (R$ 26,6 mil).
Em relação às demais categorias de gasto, os dados mostram baixa incidência de registros. Na maioria dos municípios, não há informações declaradas sobre despesas com organização do evento, publicidade, dimensão urbanística e social ou outorga e cessão de espaços públicos. Exceções pontuais incluem Barreira, que informou R$ 8,8 mil em campanha visual contra o assédio, e Tamboril, com R$ 4,7 mil em publicidade e R$ 10 mil em tenda de acolhimento.
Orientação aos gestores
Após a divulgação dos dados de gastos, o Tribunal de Contas do Ceará também disponibilizou uma cartilha orientativa voltada aos gestores municipais. O documento reúne diretrizes sobre boas práticas e exigências legais nas contratações realizadas durante períodos festivos, como o Carnaval, além de eventos previstos no calendário oficial.
A cartilha aborda temas como planejamento prévio, inclusão das despesas no Plano de Contratações Anual (PCA), previsão orçamentária adequada, qualificação técnica de fornecedores, documentação para contratações diretas e a obrigatoriedade de divulgação dos atos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), no Portal de Licitações do TCE-CE e nos Portais da Transparência municipais.
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