
O Ministério Público do Estado do Ceará ofereceu denúncia contra 109 membros de torcidas organizadas envolvidos em confrontos violentos após o primeiro Clássico-Rei de 2026, disputado entre Ceará e Fortaleza no dia 8 de fevereiro. Segundo o órgão, os denunciados deverão responder por crimes como lesão corporal grave, tumulto, incitação à violência e associação criminosa por conta das brigas que se espalharam pelas ruas da capital cearense antes, durante e depois da partida.
O MP também pediu à Justiça que os suspeitos permaneçam presos enquanto a ação penal tramita. De acordo com as investigações do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor, os confrontos que foram registrados no último Clássico-Rei teriam sido agendados por meio de redes sociais, reunindo grupos que se enfrentaram de forma organizada em diversos bairros de Fortaleza.
Nas ocorrências, além de agressões físicas, foram registrados danos a veículos de transporte coletivo e envolvimento de adolescentes em práticas violentas. Na última semana, a Justiça Estadual determinou a libertação de 89 dos torcedores presos por envolvimento nos tumultos, sob o argumento de que eles não tinham antecedentes criminais nem estavam sob investigação em outros processos.
Punição além de dias de Clássico-Rei
Apesar disso, todos os beneficiados pela soltura ficaram proibidos, por seis meses, de frequentar estádios da capital nos dias em que Ceará e Fortaleza jogarem. O controle por biometria facial, que monitora o acesso à Arena Castelão e ao estádio Presidente Vargas, deve auxiliar na fiscalização. Além disso, esses torcedores deverão manter a distância de pelo menos cinco quilômetros dos locais dos jogos nessas datas.
Em resposta aos episódios de violência, o MP já havia solicitado a suspensão da presença de torcidas organizadas em jogos por cinco rodadas no Campeonato Cearense. A medida atingiu grupos como a Torcida Organizada do Ceará (TOC), o Movimento Organizado Força Independente (MOFI), o Bonde da Aliança e a Força da Galera (Fortaleza Esporte Clube).
Durante esse período, as agremiações estão proibidas de entrar nos estádios, bem como de levar faixas, instrumentos musicais e outros materiais que costumam identificar seus setores nos jogos. Em outro episódio, o órgão pediu medidas cautelares e a suspensão de atividades de líderes de torcidas por envolvimento em tumultos, buscando desestimular conflitos e promover a segurança de quem frequenta os estádios. O objetivo é reduzir confrontos e reforçar a segurança nas praças esportivas do Estado.
Expectativa de reforço
Visando a segurança e a tranquilidade dos torcedores que foram ao primeiro Clássico-Rei de 2026, no dia 8 de fevereiro, a Coordenadoria de Planejamento Operacional da Secretaria da Segurança Pública elaborou um plano operacional de atuação. Ao todo serão 774 agentes de Segurança Pública atuando no durante a partida entre Ceará e Fortaleza. A iniciativa também contou com o apoio de órgãos estaduais e municipais. A expectativa é que uma operação semelhante seja determinada nas duas próximas partidas entre Ceará e Fortaleza, marcadas para os dias 1º e 8 de março.


