A possibilidade de mudanças partidárias até o início de abril deve provocar um redesenho na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Nesse cenário, ao menos cinco siglas correm o risco de deixar de ter representação na Casa: PDT, União Brasil, Progressistas, Cidadania e Avante.
Prevista para se encerrar em 3 de abril, a janela partidária permite que deputados estaduais, distritais e federais troquem de legenda sem sofrer sanções por infidelidade partidária. Tradicionalmente, o período tem influência direta na formação das chapas eleitorais e na reorganização das forças políticas.
No Ceará, as articulações já estão em curso e, pelo menos, 17 deputados estaduais avaliam mudar de partido. Entre os motivos estão estratégias eleitorais, reposicionamento político e busca por maior competitividade em 2026.

Alguns reflexos dessas movimentações já atingem o funcionamento interno do Legislativo estadual. A indefinição sobre o tamanho das bancadas levou ao adiamento da formação das Comissões Permanentes, o que concentra na Mesa Diretora a análise dos projetos em tramitação. Pelo regimento interno, a definição das comissões deveria ter ocorrido ainda em fevereiro. No entanto, a decisão foi postergada para depois da janela partidária, uma vez que a composição desses colegiados depende da proporcionalidade das bancadas.
Em declaração à imprensa no início de março, o presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), confirmou a estratégia. Segundo ele, a Casa aguarda a consolidação do quadro partidário para distribuir as vagas nas comissões de forma técnica, com base na representatividade de cada sigla. “Nós vamos esperar a primeira semana de abril para verificarmos onde estarão os 46 deputados, para que a gente possa utilizar o critério técnico da proporcionalidade para compor as novas comissões. Não tem como ser diferente. É a primeira vez que a gente tem a lei eleitoral da janela partidária”, comentou.
Entre os partidos mais impactados, o PDT já enfrenta um processo de esvaziamento praticamente definido. A legenda deve perder seus quatro deputados estaduais remanescentes — Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho —, que avaliam migrar para PSDB ou PL.
Historicamente dominante na Casa, o PDT iniciou a legislatura de 2023 com 13 parlamentares, formando a maior bancada. No entanto, esse cenário começou a mudar após o rompimento liderado pelo senador Cid Gomes (PSB), que resultou na saída de 11 deputados estaduais da sigla.
Diante desse contexto, o partido busca se reorganizar para o próximo ciclo eleitoral. Sob a liderança do deputado federal André Figueiredo, a estratégia passa pela renovação dos quadros e estímulo à participação de novas lideranças, especialmente vereadores da capital e do interior.

Situação semelhante é observada no União Brasil. A legenda, que atualmente conta com quatro deputados, pode ter uma redução no seu quantitativo. Três deles — Sargento Reginauro, Felipe Mota e Heitor Férrer — devem migrar para o PSDB, fortalecendo a oposição no estado.
Além das saídas, o partido enfrenta impasses relacionados à possível federação com o Progressistas. A indefinição sobre o posicionamento político do bloco, especialmente em relação ao governo Elmano de Freitas (PT), aumenta a instabilidade interna.
Nesse cenário, o deputado Firmo Camurça também pode deixar o União Brasil. Caso a federação adote uma postura de oposição, ele avalia permanecer na base governista, tendo o PSD como destino provável.
As incertezas envolvendo a federação também impactam o Progressistas. Os deputados Almir Bié e João Jaime aguardam uma definição, mas já indicam a possibilidade de mudança de legenda caso haja restrições ao apoio à reeleição de Elmano. Outro movimento já encaminhado envolve o deputado Leonardo Pinheiro, que deve oficializar sua filiação ao PT durante a janela partidária, após ter anunciado previamente a decisão.
Partidos com representação mínima também estão sob risco. Cidadania e Avante podem perder seus únicos deputados estaduais, Luana Régia e Stuart Castro, que analisam propostas de outras siglas visando melhores condições eleitorais. No caso do Avante, a situação é agravada pela licença médica de Stuart Castro. O suplente Tomaz Holanda, que ocupa temporariamente o cargo, já se desfiliou do partido e ingressou no Mobiliza.
Mesmo diante do cenário de perdas, lideranças partidárias tentam reorganizar suas bases. André Figueiredo afirma que o PDT atravessa um processo de reformulação, enquanto Capitão Wagner, presidente do União Brasil no Ceará, sustenta que a legenda trabalha para manter representação na próxima legislatura, ainda que em número reduzido.
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