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Atendimentos por endometriose crescem 76% no SUS em três anos

A endometriose afeta milhões de mulheres no Brasil e segue como um desafio para o diagnóstico e tratamento na rede de saúde. Estimativas indicam que entre seis e oito milhões de brasileiras convivam com a doença, número compatível com a média mundial, que aponta incidência entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. No país, a condição atinge cerca de 10% desse público, embora especialistas alertem que os dados ainda sejam imprecisos devido à subnotificação dos casos.

A doença é caracterizada por sintomas como cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante ou após relações sexuais e infertilidade. Um dos principais entraves para o tratamento é o diagnóstico tardio, que pode levar, em média, até sete anos para ser confirmado. Nesse sentido, a campanha Março Amarelo busca ampliar a conscientização sobre a endometriose e incentivar a identificação precoce dos sinais da doença.

Atendimentos por endometriose crescem 76% no SUS em três anos
Foto: Reprodução

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam aumento na procura por atendimentos relacionados ao diagnóstico da condição nos últimos anos. Na atenção primária, os registros passaram de 82.693 atendimentos em 2022 para aproximadamente 145.744 em 2024, um crescimento de cerca de 76% no período. Segundo especialistas, o avanço pode estar associado tanto ao aumento da demanda quanto ao maior reconhecimento clínico da doença.

O atendimento especializado, por sua vez, também apresentou crescimento. O número de consultas saiu de 31.729, em 2022, para mais de 53 mil em 2024. Já as internações relacionadas à endometriose tiveram aumento de 32% no mesmo intervalo. Para a médica ginecologista Louise Nunes, os dados indicam a necessidade de ampliação da assistência especializada.

“As informações do Ministério da Saúde apontam a carência de uma atenção mais robusta nos serviços públicos, mas também evidenciam a necessidade de ampliar essa capilaridade e a qualidade do atendimento no país, sobretudo diante de uma grande demanda, cujas proporções exatas ainda são desconhecidas”, avalia.

Atendimentos por endometriose crescem 76% no SUS em três anos
Foto: Freepik

De acordo com a especialista, a endometriose é uma doença crônica que exige acompanhamento contínuo e abordagem individualizada. O tratamento pode incluir terapias hormonais, controle da dor e, em casos específicos, procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.

“O cuidado precisa ser contínuo e centrado na qualidade de vida da paciente. O sucesso desses procedimentos, no entanto, depende da realização de todas as etapas anteriores de maneira satisfatória”, pontua.

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