O Brasil apresentou melhora em 34 dos 48 indicadores utilizados para acompanhar o enfrentamento das desigualdades sociais, segundo a 4ª edição do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades. O resultado representa avanço em 71% dos indicadores analisados na comparação com os dados das edições anteriores.
Entre os principais resultados positivos identificados pelo estudo estão o crescimento da renda média, a expansão do mercado de trabalho e a redução da pobreza. O levantamento também registra avanços relacionados à segurança alimentar e à ampliação do acesso a serviços básicos.
Na área da saúde, houve redução dos índices de desnutrição entre crianças e idosos. A educação também apresentou melhora, com queda na taxa de analfabetismo. Já na segurança pública, o relatório aponta redução da taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos.

Apesar dos avanços, oito dos indicadores avaliados apresentaram piora, enquanto outros seis permaneceram estáveis. Entre os resultados negativos estão o aumento da diferença de remuneração entre mulheres e homens, o agravamento da concentração de renda e um sistema tributário que pesa proporcionalmente menos sobre quem tem rendimentos mais altos. O levantamento também aponta condições mais desfavoráveis para a população negra e o aumento da concentração dos piores indicadores sociais nas regiões Norte e Nordeste.
Segundo os responsáveis pelo estudo, os resultados negativos demonstram que mecanismos históricos de reprodução das desigualdades continuam presentes no país. “O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”, afirma o documento.
Levantamento
Esta é a quarta edição da publicação, que começou a ser produzida em 2023. A versão de 2026 reúne análises de indicadores referentes a 2025, embora alguns dados utilizados no levantamento tenham períodos de referência diferentes, já que determinadas bases não são atualizadas anualmente.
É o caso dos indicadores calculados a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que acompanha, entre outros aspectos, gastos com transporte e carga tributária em intervalos de dois anos. O Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) também possui uma periodicidade diferente: a edição mais recente foi divulgada em 2024, seis anos depois da pesquisa anterior.
Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, a ausência de atualização de alguns indicadores em 2025 não compromete a comparação entre as diferentes edições do relatório. “Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo. Os indicadores que a gente acompanha já indicam tendências pelo fato de já termos quatro anos de relatórios”, afirmou.
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