PUBLICIDADE

Brasil registra alta histórica de afastamentos por saúde mental

O Brasil registrou 472.328 afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O número representa um aumento de 67% em relação a 2023 e é o maior da série histórica, colocando quadros como ansiedade, depressão e síndrome de burnout entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade no país.

De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental foram concedidos em 2024. A tendência de crescimento seguiu em 2025: apenas nos seis primeiros meses do ano, os transtornos mentais motivaram mais de 271 mil afastamentos.

Especialistas apontam que o aumento dos afastamentos reflete um cenário de adoecimento associado à intensificação das pressões no ambiente corporativo, à precarização de processos de trabalho e à ausência de políticas contínuas de prevenção. O problema ganhou maior visibilidade após a pandemia da Covid-19, período a partir do qual os registros passaram a crescer de forma consistente.

Brasil registra alta histórica de afastamentos por saúde mental
Foto: Freepik

Dados internacionais também evidenciam o impacto econômico dos transtornos mentais. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que depressão e ansiedade geram perdas superiores a US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo. A OMS estima ainda que cada R$ 1 investido em ações de saúde emocional pode gerar retorno de até R$ 4, considerando ganhos de produtividade e redução de afastamentos.

Novidades

A discussão sobre saúde mental no trabalho ganha novo contorno em 2026, com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A mudança estabelece a obrigatoriedade de identificação, avaliação e gerenciamento de riscos psicossociais nas organizações, ampliando a responsabilidade das empresas sobre o tema.

“Planejar o cuidado é tão estratégico quanto planejar o crescimento. Sem pessoas saudáveis e engajadas não há produtividade, nem legado. A experiência mostra que organizações saudáveis não são aquelas que simplesmente lidam melhor com crises, mas aquelas que constroem ambientes onde as pessoas adoecem menos. Cuidar da saúde dos colaboradores deixou de ser apenas uma pauta de responsabilidade social. Hoje, é uma estratégia clara de gestão, eficiência e competitividade”, comenta Aleks Mesquita, CEO da Amar.Elo Saúde Mental, plataforma da Rede ICC Saúde.

No Brasil, campanhas como o Janeiro Branco reforçam a importância do cuidado contínuo com a saúde mental. No entanto, especialistas avaliam que o desafio a partir deste ano será consolidar o tema como uma política permanente nas organizações, indo além de ações pontuais de conscientização.

“Não se trata apenas de oferecer acesso a consultas ou exames, mas de mapear a saúde dos colaboradores, acompanhar indicadores, atuar preventivamente e coordenar o cuidado ao longo do tempo”, conclui.

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

WhatsApp
Facebook
Twitter
Telegram
Imprimir