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Brasil registra recorde de feminicídios em 2025

Foto: Reprodução

O Brasil alcançou um novo recorde de feminicídios em 2025, com pelo menos 1.470 casos registrados em todo o território nacional, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015, 13.448 mulheres foram vítimas no país.

Os registros de 2025 superam os 1.459 casos contabilizados em 2024 — crescimento de aproximadamente 0,41% — e representam o maior número dos últimos dez anos. Os dados, no entanto, ainda podem aumentar, já que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não encaminharam as informações referentes aos crimes ocorridos em dezembro. Ainda assim, os números do ano passado indicam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.

Ao todo, 15 estados apresentaram crescimento nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025. Estados das regiões Norte e Nordeste concentram as maiores elevações percentuais. Em contrapartida, 11 estados registraram queda no número de ocorrências em 2025.

O Ceará contabilizou 47 casos de feminicídio em 2025, o maior total desde 2018. No ano anterior, foram 41 casos em 2024 e 42 em 2023. Apesar do aumento, o Estado possui a segunda menor taxa de feminicídio do país, com 0,51 mortes por 100 mil habitantes, índice igual ao de São Paulo. O Amazonas apresenta a menor taxa nacional, com 0,46 mortes por 100 mil habitantes.

A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação engloba assassinatos de mulheres ocorridos em situações de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia. Em 2024, o crime praticado contra mulheres por razões de gênero deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser considerado um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.

Quando há agravantes, a pena pode chegar a 60 anos, tornando o feminicídio o crime com a maior punição prevista atualmente no Brasil.

Conhecida como Pacote Antifeminicídio, a lei amplia as punições para crimes cometidos em contextos de violência contra a mulher por questões de gênero, promovendo alterações na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.

Neste mês, o presidente Lula (PT) sancionou uma lei que instituiu o dia 17 de outubro como a data nacional de luto e memória às mulheres vítimas de feminicídio.

A escolha da data faz referência ao momento em que Eloá Cristina Pimentel foi atingida por disparos na cabeça e na virilha por seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em 2008.
Ela tinha 15 anos e foi mantida refém por mais de cem horas por Lindemberg, então com 22 anos, em um apartamento em Santo André (SP). Inconformado com o fim do relacionamento de três anos, ele invadiu o local onde a jovem estava.

No ano passado, outro crime que causou comoção nacional foi o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por Douglas Alves da Silva, em novembro.
A vítima teve as pernas amputadas e permaneceu entubada desde o dia do ocorrido até a data de sua morte, em dezembro.

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