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CCJ do Senado aprova autonomia do Banco Central e inclui Pix na Constituição

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (10), de forma simbólica, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central (BC), concede independência financeira e orçamentária à instituição e insere o Pix na Constituição Federal. O texto segue agora para análise do plenário do Senado, onde precisará ser aprovado em dois turnos antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

A proposta, apresentada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), recebeu parecer favorável do relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), e é considerada uma das principais mudanças institucionais no sistema financeiro brasileiro desde a aprovação da autonomia operacional do Banco Central em 2021.

Atualmente, o Banco Central já possui autonomia técnica e operacional garantida por lei complementar. A PEC, entretanto, amplia essa independência ao assegurar também autonomia administrativa, financeira e orçamentária diretamente na Constituição.

Pelo texto aprovado, o BC deixa de ser classificado como autarquia especial e passa a ser definido como uma entidade pública de natureza especial, integrante do setor público financeiro, sem vinculação ou subordinação hierárquica a ministérios ou outros órgãos da administração federal.

Nos últimos dias, os ministérios da Fazenda e do Planejamento elaboraram sugestões de alteração ao texto com o aval do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. As propostas foram apresentadas pelo líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA).

O principal objetivo era manter o Banco Central como autarquia federal, mesmo com a concessão de autonomia financeira.

Segundo o governo, a mudança proposta pelo relator poderia gerar dúvidas sobre os mecanismos de controle público e os impactos fiscais decorrentes da nova estrutura institucional.

Jaques Wagner solicitou mais prazo para negociações antes da votação em plenário. Embora tenha rejeitado a emenda apresentada pelo governo, Plínio Valério afirmou estar aberto a novos ajustes durante a próxima etapa de tramitação.

Banco Central terá orçamento próprio

O principal ponto da PEC é a criação de um modelo de autonomia financeira para o Banco Central.

Pela proposta, o orçamento da instituição passará a ser aprovado e executado por ato próprio do BC, utilizando recursos provenientes de receitas financeiras administradas pela própria autoridade monetária.

Atualmente, parte dos recursos da instituição depende do Orçamento Geral da União. Com a mudança, o BC poderá custear suas atividades utilizando receitas geradas por operações com reservas internacionais, administração de ativos financeiros e outras atividades típicas de autoridade monetária.

O orçamento continuará sujeito à apreciação prévia do Conselho Monetário Nacional (CMN) e à fiscalização do Senado Federal.

Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a mudança é necessária para assegurar estabilidade institucional e garantir previsibilidade de recursos para o funcionamento da autoridade monetária.

Pix constitucional

Uma das alterações mais debatidas durante a tramitação foi a inclusão do Pix na Constituição Federal.

O relatório estabelece que caberá exclusivamente ao Banco Central regular, administrar e operar o sistema de pagamentos instantâneos e sua infraestrutura tecnológica.

O texto também proíbe a transferência, cessão, privatização ou concessão do sistema a qualquer entidade pública ou privada.

Além disso, a PEC determina a preservação de características consideradas fundamentais do Pix, como a gratuidade para pessoas físicas, o acesso universal, a eficiência operacional e os mecanismos de prevenção a fraudes.

Segundo Plínio Valério, a inclusão foi motivada pela importância econômica do sistema e por recentes questionamentos feitos pelo governo dos Estados Unidos em relação ao modelo brasileiro de pagamentos instantâneos.

Para o relator, o Pix tornou-se uma política pública estratégica de inclusão financeira e deve receber proteção constitucional.

Poder de fiscalização ampliado

A PEC também reforça o papel do Banco Central na supervisão do sistema financeiro.

O texto explicita que a instituição possui poder de polícia administrativa, incluindo competências de regulação, fiscalização, supervisão e aplicação de sanções a bancos, fintechs e demais entidades financeiras sob sua responsabilidade.

A proposta também autoriza o Banco Central a atuar em situações de instabilidade financeira para preservar a liquidez dos mercados e evitar riscos sistêmicos.

Segundo o relator, esses instrumentos são essenciais para garantir a estabilidade financeira e a segurança do sistema bancário nacional.

Servidores e estrutura administrativa

Outro ponto previsto no texto é a ampliação da autonomia administrativa da instituição.

O Banco Central passará a ter competência para definir políticas remuneratórias, propor criação e extinção de cargos e organizar seus planos de carreira.

O parecer ressalta, contudo, que os direitos dos servidores ativos e aposentados serão preservados e que nenhuma garantia atualmente prevista em lei será retirada.

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