PUBLICIDADE

Ceará alcança 1.818 km de rios perenizados em 2025, aponta Cogerh

A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) divulgou o Relatório de Perenização dos Rios 2025, que aponta que o Ceará alcançou 1.818 km de trechos de rios perenizados ao longo do ano. O volume está entre os maiores da última década e representa o melhor resultado dos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2024, quando a extensão superou 1.900 km.

Perenização para o canal Orós – Feiticeiro – bacia do Alto Jaguaribe

O levantamento evidencia um avanço significativo em relação ao período entre 2015 e 2018, quando os índices de perenização recuaram em decorrência da seca prolongada. A recuperação reforça a garantia de água em leitos estratégicos para o abastecimento humano e para a produção agrícola, especialmente em regiões historicamente afetadas pela irregularidade das chuvas.

No semiárido cearense, a perenização dos rios é considerada fundamental para a convivência com a seca. A prática permite que os rios mantenham fluxo contínuo ao longo de todo o ano, mesmo durante longos períodos de estiagem, por meio da liberação controlada de água dos açudes, preservando o leito ativo mesmo sem chuvas.

Segundo o diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, o planejamento da perenização é essencial para a gestão hídrica do estado. “Se não fosse a perenização, nós só teríamos água nos rios durante cerca de quatro meses do ano, período correspondente à quadra chuvosa no Ceará”.

Alto Jaguaribe lidera perenização em 2025

A região hidrográfica do Alto Jaguaribe encerrou 2025 com a maior extensão de trechos de rios perenizados dos últimos dez anos. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela atuação de açudes estratégicos como Orós e Arneiroz II, que garantiram a perenização de longos trechos dos rios Jaguaribe e Lima Campos.

O aumento da perenização a partir do açude Orós também esteve relacionado à redução do volume armazenado no açude Castanhão. Com a diminuição da reserva no Castanhão, foi necessário intensificar a liberação de água pelo Orós para assegurar a continuidade da perenização e o atendimento às demandas da região.

Com isso, áreas historicamente marcadas pela estiagem passaram a manter o leito dos rios com água corrente durante todo o ano, alterando a paisagem, valorizando terras às margens dos rios e ampliando a segurança hídrica para atividades produtivas.

Região do Salgado registra redução

Na região do Salgado, no sul do Ceará, o relatório aponta uma redução na extensão de rios perenizados em 2025. A bacia passou de 210,23 km em 2024 para 110,08 km, o que representa uma queda de 47,6% em um ano. Apesar da redução, o índice atual permanece cerca de 58% acima do mínimo registrado em 2018, indicando possibilidade de recuperação com ações adequadas de gestão e aporte hídrico.

Sertões de Crateús seguem como desafio

Nos Sertões de Crateús, a extensão de rios perenizados permanece em 0 km desde 2014, evidenciando um desafio persistente para garantir trechos perenes na região. Em 2011, havia 107,36 km de rios perenizados, o que demonstra uma mudança significativa nas condições hídricas ao longo dos anos.

Gestão da perenização

A manutenção dos trechos de rios com água corrente é definida anualmente pela Cogerh, que estabelece as vazões a serem liberadas dos principais açudes. O processo ocorre por meio da alocação negociada de água, com participação dos comitês de bacia, formados por usuários e representantes de órgãos públicos estaduais, municipais e federais.

A operação busca equilibrar o abastecimento humano, o suporte às atividades produtivas e a preservação de uma vazão mínima nos rios, assegurando a perenização dentro dos limites de segurança dos reservatórios.

Perenização dos Rios

Perenização dos rios é o processo, natural ou artificial (como com açudes), que garante a um rio ter água corrente o ano todo, transformando um curso d’água intermitente (que seca) em perene, crucial no semiárido para o abastecimento e convivência com a seca, embora exija planejamento para minimizar impactos ambientais e sociais, como a preservação da mata ciliar.

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC

WhatsApp
Facebook
Twitter
Telegram
Imprimir