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Ceará e Bahia vivem a mesma eleição?

Elmano de Freitas e Jerônimo Rodrigues

À primeira vista, Ceará e Bahia parecem viver disputas completamente diferentes. Mas, olhando além dos candidatos, os dois estados talvez concentrem o principal fenômeno político das eleições de 2026.

Nos dois casos, grupos que chegaram ao poder em 2007 tentam renovar um ciclo que já dura quase duas décadas. Na Bahia, o PT governa o estado desde Jaques Wagner, passando por Rui Costa e chegando a Jerônimo Rodrigues. No Ceará, apesar das mudanças partidárias ao longo dos anos, o núcleo político formado por Cid Gomes, Camilo Santana e, atualmente, Elmano de Freitas permanece no comando do projeto governista desde o mesmo período.

Essa permanência não aconteceu por acaso.

Ao longo dos anos, esses grupos consolidaram uma ampla rede de alianças, reunindo a maior parte dos prefeitos, deputados e partidos aliados. Essa estrutura ajuda a explicar por que continuam competitivos mesmo após tantos anos no poder.

Mas toda permanência prolongada também produz desgaste.

É justamente esse o grande teste de 2026: saber se esses projetos ainda conseguem mobilizar o eleitorado com a mesma força ou se o tempo começa a cobrar seu preço político.

Do outro lado, a oposição parece ter chegado à mesma conclusão nos dois estados.

A estratégia deixou de ser lançar vários candidatos para apostar na concentração de forças. A avaliação é simples: enfrentar máquinas políticas consolidadas exige unidade.

No Ceará, esse movimento começa a se formar em torno de Ciro Gomes. Na Bahia, ACM Neto continua sendo a principal aposta da oposição para tentar interromper quase vinte anos de governos petistas.

Há outra semelhança importante.

Mais do que um cabo eleitoral, o presidente Lula deve funcionar como o principal fator de coesão das bases governistas. Sua presença fortalece alianças, reduz tensões internas e amplia o potencial eleitoral dos candidatos apoiados pelo Palácio do Planalto. Não por acaso, Bahia e Ceará estão entre os estados onde o presidente registra historicamente alguns dos maiores índices de aprovação do país.

Mas existe uma diferença relevante entre as duas disputas.

Na Bahia, o principal desafio do governo é enfrentar uma oposição unificada em torno de ACM Neto. No Ceará, além da disputa com os adversários, a base governista ainda precisa administrar divergências internas para definir a composição da chapa, especialmente a segunda vaga ao Senado.

No fim das contas, talvez a principal pergunta de 2026 não seja apenas quem vencerá na Bahia ou no Ceará.

A questão é saber se o modelo político que domina os dois estados desde 2007 continua capaz de se renovar ou se começa a dar os primeiros sinais de esgotamento.

Porque, muitas vezes, as eleições que mudam a política não são aquelas que apresentam os candidatos mais conhecidos. São aquelas que encerram ciclos e inauguram outros.

 

 

 

 

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