
De 2023 a 2025, a renda real dos 10% mais pobres do Ceará aumentou mais de 40%, o que resultou em uma queda de 35% na proporção de cearenses em situação de extrema pobreza nesse intervalo. É o que aponta o estudo divulgado, nesta terça-feira (26), pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), durante seminário promovido em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no auditório do Ipece, em Fortaleza.
O levantamento foi desenvolvido pela Diretoria de Estudos Sociais do Ipece, com base em microdados da PNAD Contínua divulgada recentemente pelo IBGE, e está disponível no novo Enfoque Econômico N° 319 do Ipece.
“Esse avanço é resultado de um trabalho integrado e de políticas públicas que cuidam das pessoas. Pela primeira vez na história, o número de cearenses com carteira assinada superou o de beneficiários do Bolsa Família. Seguimos investindo em segurança, educação e inclusão social, com ações como o Ceará Sem Fome, que já conta com 1.300 cozinhas ativas levando alimento e dignidade para milhares de famílias cearenses. É assim que continuaremos construindo um Ceará mais justo e com mais oportunidades para todas e todos”, afirmou o governador Elmano de Freitas.
O objetivo, explica o analista de Políticas Públicas do Ipece, Jimmy Oliveira, foi entender o panorama da extrema pobreza no Ceará com base nos valores antigo e atualizado da linha internacional de pobreza, destacando que a alteração no critério impacta diretamente o número de pessoas em extrema pobreza.
“Em junho de 2025, o Banco Mundial atualizou a linha de extrema pobreza, o que aumentou muito o valor em comparação ao valor anterior. Isso fez com que os indicadores de extrema pobreza aumentassem, não porque a situação das famílias de baixa renda piorou. Na verdade, a situação até melhorou, a renda dos mais pobres cresceu mais do que a média do Estado”, detalha.
O antigo valor de US$ 2,15 por dia, cerca de R$ 232 mensais, foi atualizado para US$ 3 por dia, aproximadamente R$ 280 por mês. O ajuste está relacionado às taxas de Paridade do Poder de Compra (PPC), que indicam quanto da moeda local de um país é necessário para adquirir a mesma cesta de bens e serviços nos Estados Unidos (país de referência).
Jimmy reforça que o Ceará, independentemente do valor do limiar utilizado, conseguiu manter a trajetória de queda da extrema pobreza de maneira contínua ao longo dos últimos anos.
“Podemos afirmar que a extrema pobreza no Ceará, tanto em termos percentuais como em número de pessoas, vem caindo desde o início da série de 2012, mas sobretudo nos últimos anos, de 2022 a 2025. Mais de 400 mil pessoas no Ceará saíram da extrema pobreza independente do valor da linha”, conclui.
Sobre a renda, entre 2022 e 2025, a renda média dos 10% mais pobres cresceu mais que o dobro da renda dos 10% mais ricos. A renda média real dos 10% mais pobres aumentou à taxa média de 12% ao ano (a.a), o que gerou crescimento acumulado de 40,6% nos últimos três anos. No mesmo período, a renda média dos 10% mais ricos registrou crescimento de 4,9% a.a. e 15,4% no acumulado do triênio.
Em valores de 2025, a renda média da faixa mais pobre do estado passou de R$ 128 em 2022 para R$ 180 em 2025. Já o limite superior da classe que define os 10% mais pobres subiu de R$ 227 para R$ 287 (valores corrigidos pelo IPCA), fazendo com que o percentual de cearenses na extrema pobreza ficasse abaixo de 10% (9,4% em 2025) pela primeira vez desde 2012, conforme a nova linha internacional de pobreza.
O diretor-geral do Ipece, Alfredo Pessoa, observa que esse resultado está ligado ao aumento no valor das transferências dos programas sociais e aos resultados positivos do mercado de trabalho.
“No Ceará, além do Bolsa Família, temos uma política complementar ao Bolsa Família, que é o Ceará Sem Fome. O programa envolve o cartão, as cozinhas, oportunidade de trabalho e, mais recentemente, a saúde”, afirmou.


