O Monitor de Secas aponta que o Ceará enfrentou, em dezembro de 2025, o quadro mais severo de seca grave dos últimos quase seis anos, com 93 municípios classificados com seca grave (S2) e 91 com seca moderada (S1), evidenciando a ampliação do problema em relação a novembro de 2025, quando 65 municípios estavam nessa condição.

O índice supera o cenário registrado em janeiro de 2020, até então considerado o mais crítico do período, quando 28,27% do território cearense estava sob condição de seca grave relativa.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) explica que o agravamento do quadro tem relação direta com a escassez de chuvas no segundo semestre de 2025, fase em que a reposição hídrica costuma ser mais limitada. No mês de novembro, a seca grave estava concentrada principalmente na macrorregião Jaguaribana, com registros também no sul do estado e em áreas do oeste cearense.
Em dezembro de 2025, o fenômeno se expandiu em alcance territorial e passou a atingir 93 municípios, alcançando, além da Jaguaribana, outras macrorregiões do Ceará, como o Cariri, o Centro-Sul, o Sertão Central, os Inhamuns, o Sertão de Canindé, o Vale do Curu, o Maciço de Baturité, o Vale do Jaguaribe e áreas da Região Norte, incluindo Sobral.
De acordo com o Monitor de Secas, houve avanço na intensidade e na extensão das secas moderadas e graves no norte do estado, em decorrência das anomalias negativas de precipitação e da piora dos indicadores climáticos. Em contrapartida, no oeste, foi observado recuo da seca grave, associado à melhoria desses indicadores. O levantamento aponta ainda que os impactos passaram a ser de curto e longo prazo (CL).

Entre os principais efeitos da seca grave estão perdas prováveis de culturas agrícolas e pastagens, escassez frequente de água e a possibilidade de restrições no uso dos recursos hídricos, com reflexos tanto em áreas rurais quanto urbanas.


