Um levantamento do Índice de Preços da Ceasa-CE (IPCE) aponta que o custo dos produtos que compõem a cesta básica comercializados na central apresentou queda de 11,16% no acumulado entre março de 2025 e fevereiro de 2026. As informações foram divulgadas pelo Núcleo de Economia e Estatística (NUECE) e pelo Sistema de Informação de Mercado Agrícola (SIMA) da Ceasa-CE. Apesar da redução ao longo dos últimos 12 meses, o estudo indica que houve pressão de preços no curto prazo.
A análise mensal mostra que, entre janeiro e fevereiro de 2026, o setor da cesta básica registrou aumento de 4,11%. O avanço foi puxado principalmente pelo feijão preto, que subiu 8%, seguido pelo feijão de corda (7,69%) e pelo feijão carioquinha (6,90%). Também tiveram elevação de preços a farinha amarela/branca (5%) e o queijo coalho (3,57%). Em contrapartida, alguns produtos ficaram mais baratos no período, como a manteiga (-22,50%), o óleo de soja (-10,34%) e o açúcar cristal (-3,33%). As carnes bovina (-2,54%) e suína (-1,48%) também apresentaram retração.

No segmento de raiz, bulbo e rizoma, o levantamento aponta queda de 3,81% no acumulado anual. Ao observar apenas o intervalo entre janeiro e fevereiro deste ano, houve redução nos preços da cebola roxa (-6,95%), da cebola pêra (-5,80%) e do alho nacional e importado (-1,12%). Por outro lado, alguns itens registraram aumento, como a beterraba (14,86%), a batata inglesa (10,50%), a cenoura Nantes (1,75%) e o aipim/macaxeira (0,34%).
Entre os setores com maior variação no período analisado está o de frutas. O segmento acumulou alta de 33,06% em 12 meses e registrou aumento de 8,36% na comparação entre janeiro e fevereiro. Os maiores reajustes ocorreram no caju amarelo e vermelho (30,39%), no morango vermelho (29,14%), na manga Keitt (17,54%), no melão japonês (15,71%) e no mamão Havaí (12,88%). Já as principais quedas foram observadas no abacate (-13,16%), na goiaba vermelha (-6,60%), na tangerina Ponkan (-5,87%), na tangerina Murkot (-5,71%) e na manga Tommy (-2,91%).
O setor de folha, flor e haste também apresentou aumento no período de 12 meses, com alta de 32,83%. Na análise mensal, se destacam as elevações nos preços do coentro (11,68%), da cebolinha (11,28%), do repolho híbrido (3,70%) e da acelga (2,41%). A única queda registrada foi a da couve-flor, que apresentou retração de 2,67%. No total, o segmento acumulou um aumento de 5,13% no mês analisado.

Já o segmento de hortaliças fruto foi o que apresentou a maior alta mensal no levantamento. Entre janeiro e fevereiro de 2026, os preços avançaram 15,64%, enquanto o acumulado anual registra crescimento de 6,50%. As maiores elevações ocorreram no tomate cajá (33,93%), no feijão verde (30,41%), na vagem macarrão (15,13%), no chuchu (14,72%) e no tomate longa vida (14,41%). A única queda relevante no período foi registrada no pimentão verde, com redução de 13,54%.
De acordo com o analista de mercado da Ceasa-CE, Odálio Girão, fatores climáticos e a entressafra em algumas regiões produtoras contribuíram para reduzir a oferta de determinados produtos. Segundo ele, esse cenário explica a alta nos preços do tomate cajá e do feijão verde.
“No caso do caju, a elevação dos preços ocorre com o fim da safra e a maior procura, o que costuma pressionar as cotações no período. Já as quedas registradas para o abacate e pimentão verde estão associadas ao aumento da oferta desses produtos no mercado, impulsionado pela intensificação da colheita em regiões produtoras, ampliando o volume disponível e reduzindo os preços,” complementa.
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