A federação entre União Brasil e Progressistas (PP) tende a resultar na maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) das eleições deste ano. Caso a aliança seja oficializada, as duas siglas devem somar R$ 953,5 milhões em recursos, o que corresponde a aproximadamente 20% do total de R$ 4,9 bilhões destinados ao fundo eleitoral.
A projeção é resultado de levantamento elaborado pela Fundação 1º de Maio, vinculada ao partido Solidariedade, com base nos critérios legais de distribuição do fundo. Os dados foram divulgados pelo jornal Folha de São Paulo após a sanção da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 pelo presidente Lula (PT), no último dia 15 de janeiro. O orçamento total aprovado é estimado em R$ 6,54 trilhões, dos quais quase R$ 5 bilhões foram reservados para o financiamento das campanhas.

No ranking individual das legendas, o Partido Liberal (PL) aparece na liderança, com previsão de R$ 886,7 milhões. A sigla possui atualmente 88 deputados federais e 15 senadores no Congresso Nacional. Logo atrás, o Partido dos Trabalhadores (PT) surge como a segunda legenda com maior volume de recursos, estimado em R$ 619,7 milhões. O partido conta com uma bancada composta por 67 deputados federais e nove senadores.
Já o União Brasil e o PP figuram, respectivamente, na terceira e na quinta posições entre os partidos com maiores repasses. Com o pedido de registro da federação já protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o bloco, uma vez oficializado, passará a deter a maior bancada da Câmara dos Deputados, além de ampla capacidade financeira para a disputa eleitoral. Também entre os principais beneficiados, o Partido Social Democrático (PSD) deverá receber R$ 420,8 milhões. A legenda reúne 47 deputados federais e 14 senadores.
A divisão dos recursos segue as normas estabelecidas pela Lei nº 13.488, de outubro de 2017. Conforme a legislação, 2% do fundo são repartidos igualmente entre todos os partidos registrados no TSE, 35% são distribuídos de acordo com os votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados, 48% levam em conta o número de deputados federais e 15% consideram a representação no Senado.

Somente após a definição e aprovação interna desses critérios pelos diretórios nacionais é que os valores passam a ficar disponíveis para uso nas campanhas.
Federação
Apesar do peso nacional da federação, a composição enfrenta entraves regionais em pelo menos 14 estados, incluindo o Ceará. No Estado, a principal divergência envolve o posicionamento político do bloco, que ainda discute se seguirá na base ou na oposição ao governador Elmano de Freitas (PT). As negociações vêm sendo conduzidas em reuniões entre dirigentes locais e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Em 16 de janeiro, o presidente estadual da sigla, Capitão Wagner, afirmou que, após conversa com Rueda, a tendência seria de alinhamento oposicionista.
Na mesma ocasião, Ciro Gomes (PSDB), citado como possível pré-candidato ao Governo do Ceará, declarou confiar na palavra da direção nacional do partido. Em contraponto, parlamentares governistas também demonstraram expectativa positiva quanto à adesão da federação à base aliada.

Reuniões envolvendo os deputados federais Moses Rodrigues (União Brasil), Fernanda Pessoa (União Brasil) e AJ Albuquerque (PP), presidente estadual do Progressistas, discutiram os rumos do bloco no Ceará. Até o momento, não há definição sobre quem comandará a federação no Estado.
Enquanto isso, o governador Elmano de Freitas tem reforçado que acredita no apoio da federação à sua reeleição, destacando alianças com lideranças locais do União Brasil e do PP. Entre as articulações em curso, está a possibilidade de a base governista lançar um candidato ao Senado com apoio do grupo, incluindo o nome do deputado Moses Rodrigues.
Distribuição dos recursos
| PARTIDO | VALOR |
| Partido Liberal (PL) | R$ 886,7 milhões |
| Partidos dos Trabalhadores (PT) | R$ 619,7 milhões |
| União Brasil | R$ 536,4 milhões |
| Partido Social Democrático (PSD) | R$ 420,8 milhões |
| Progressistas (PP) | R$ 417,1 milhões |
| Movimento Democrático Brasileiro (MDB) | R$ 404,4 milhões |
| Republicanos | R$ 343,7 milhões |
| Podemos | R$ 236,5 milhões |
| Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) | R$ 147,8 milhões |
| Partido Socialismo e Liberdade (Psol) | R$ 126,7 milhões |
| Solidariedade | R$ 88,4 milhões |
| Avante | R$ 72,4 milhões |
| Partido Renovação Democrática (PRD) | R$ 71,7 milhões |
| Cidadania | R$ 60,1 milhões |
| Partido Comunista do Brasil (PcdoB) | R$ 55,8 milhões |
| Partido Verde (PV) | R$ 45,1 milhões |
| Novo | R$ 37 milhões |
| Rede | R$ 35,7 milhões |
| Agir | R$ 3,3 milhões |
| Democracia Cristã (DC) | R$ 3,3 milhões |
| Missão | R$ 3,3 milhões |
| Mobiliza | R$ 3,3 milhões |
| Partido Comunista Brasileiro (PCB) | R$ 3,3 milhões |
| Partido da Causa Operária (PCO) | R$ 3,3 milhões |
| Partido da Mulher Brasileira (PMB) | R$ 3,3 milhões |
| Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) | R$ 3,3 milhões |
| Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) | R$ 3,3 milhões |
| Unidade Popular (UP) | R$ 3,3 milhões |
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


