
A indústria da construção no Brasil apresentou desempenho moderado no início de 2026, com sinais de desaceleração e perda de ritmo. Dados da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apontam que o setor registrou o pior resultado para um mês de janeiro em nove anos, com índice de atividade em 43,1 pontos.
Além da atividade enfraquecida, outros indicadores reforçam o cenário de desaceleração. O nível de emprego no setor caiu pelo terceiro mês consecutivo, enquanto a utilização da capacidade operacional recuou para 64%, o menor patamar para o período em cinco anos. A confiança dos empresários também segue baixa, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos — o que indica pessimismo — há mais de um ano.
As expectativas para os próximos seis meses também perderam força. Houve queda nos indicadores relacionados à compra de insumos, novos empreendimentos, número de empregados e nível de atividade. Em alguns casos, os índices ficaram abaixo dos 50 pontos, sinalizando que os empresários deixaram de projetar crescimento e passaram a prever retração em áreas como emprego e lançamentos imobiliários.
A intenção de investimento acompanhou esse movimento e também recuou, interrompendo uma sequência de altas. Segundo especialistas da CNI, o cenário é influenciado principalmente pelos juros elevados e pelo ambiente econômico incerto, que encarecem o crédito e reduzem a confiança do setor.
Diante desse contexto, a construção civil entra em 2026 com crescimento mais contido e empresários mais cautelosos, o que pode impactar diretamente a geração de empregos e o ritmo de novos projetos nos próximos meses.

