Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (25/03) acendeu um alerta importante sobre a segurança de adolescentes nas escolas brasileiras. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, cerca de uma em cada quatro meninas estudantes, entre 13 e 17 anos, já foi vítima de algum tipo de violência sexual.
O estudo ouviu aproximadamente 118.099 mil estudantes em todo o País. Em comparação com a última edição da pesquisa, realizada em 2019, houve um aumento de 5,9 pontos percentuais nesse tipo de violência entre meninas. Outro dado preocupante mostra que 11,7% das adolescentes relataram já ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, evidenciando situações de abuso mais grave.
Em levantamento da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), em outubro de 2025, foi identificado que quase 80% dos crimes sexuais no Ceará eram cometidos contra crianças e adolescentes.
Violência sexual na Internet
A violência sexual não ocorre de forma isolada. Dados recentes indicam que 1 em cada 5 adolescentes brasileiros também sofre esse tipo de violência em ambientes digitais, o que representa cerca de 3 milhões de vítimas. Além disso, meninas e jovens são os grupos mais vulneráveis à violência, muitas vezes expostas a múltiplas formas de agressão simultaneamente.
Segundo o estudo, a violência sexual contra adolescentes está ligada a uma combinação de fatores sociais e culturais, como desigualdade de gênero, falta de educação sexual e informação, uso de álcool e drogas por agressores ecultura de impunidade.
Outro ponto crítico é que, em muitos casos, o agressor é alguém conhecido da vítima, o que dificulta a denúncia e prolonga o ciclo de violência. As consequências vão além do momento da violência. Entre os principais efeitos estão:
- Transtornos de ansiedade e depressão;
- Queda no rendimento escolar;
- Abandono da escola;
- Dificuldades de relacionamento social;
- Risco elevado de repetição dos atos de violência contra a mesma vítima.
Para amenizar esses índices, o investimento em políticas públicas para enfrentamento do problema se torna fundamental, sobretudo com ações integradas entre saúde, educação e assistência.
Entre as principais formas de proteção, é possível destacar o fortalecimento da rede de apoio nas escolas e a divulgação massiva de canais de denúncia, a exemplo do Disque 100.


