
O deputado federal Danilo Forte (PP-CE) formalizou, nesta terça-feira (8), sua candidatura ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A indicação foi feita pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), com apoio do deputado Aécio Neves, a quem Forte agradeceu publicamente.
Em declaração, o parlamentar destacou que a disputa não tem sido fácil e afirmou que sua trajetória política é marcada pela defesa do orçamento impositivo e da autonomia do Congresso Nacional.
A indicação do deputado Danilo Forte pelo PSDB chamou atenção nos bastidores, já que o parlamentar não integra a legenda. Recentemente, ao deixar o União Brasil, Forte chegou a sinalizar que se filiaria ao PSDB, o que não se concretizou. Nos bastidores, a avaliação é de que seu ingresso poderia gerar resistência interna, diante de sua influência política e do impacto sobre quadros mais antigos da sigla. O deputado acabou, então, se filiando ao Progressistas.
Ainda assim, o apoio partiu do deputado Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, que formalizou a indicação.
Segundo apurações da Rede ANC em Brasília, o movimento pode estar ligado a articulações políticas mais amplas. Há a avaliação de que lideranças com influência no Ceará, como Tasso Jereissati e Ciro Gomes, podem ter atuado para viabilizar a indicação, com o objetivo de preservar interesses políticos do PSDB no estado.
Nos bastidores, a leitura é de que a escolha busca evitar conflitos locais e manter alinhamentos estratégicos, embora não haja confirmação oficial sobre essas motivações.
Apoio político
Danilo Forte ressaltou o apoio recebido ao longo da articulação para viabilizar sua candidatura. “Quero agradecer ao ex-presidente dessa Casa, Aécio Neves, que me indicou para disputar essa vaga, e a todos os companheiros que têm sido solidários comigo nessa caminhada”, afirmou.
O deputado também relembrou sua atuação em pautas orçamentárias, especialmente na implementação das emendas individuais impositivas. Segundo ele, essas medidas foram fundamentais para garantir previsibilidade na execução do orçamento público.
Críticas e defesas
Durante o anúncio, o parlamentar afirmou que pretende atuar no TCU com foco na fiscalização da execução orçamentária e no combate ao que chamou de “orçamentos paralelos”.
“O Tribunal de Contas tem que garantir o que está na lei. A Constituição diz claramente que quem deve elaborar e acompanhar o orçamento é o Congresso Nacional, e o TCU é um órgão assessor nesse processo”, declarou.
O parlamentar também fez críticas ao governo federal e ao que considera interferências no papel do Legislativo. “O Tribunal não pode servir de instrumento do Executivo para acabar com as emendas parlamentares. Ele deve fiscalizar e dar transparência à execução”, disse.
Apelo por apoio
Danilo Forte ainda mencionou a disputa interna no campo da oposição, afirmando que há tentativas de fragmentação que poderiam favorecer adversários políticos.
“Estão tentando nos dividir para facilitar a vitória do PT. É momento de ter consciência de quem tem capacidade de fazer o enfrentamento”, afirmou.
Ao final, o deputado pediu apoio direto aos colegas parlamentares. “Peço o voto dos deputados e deputadas para que possamos fortalecer o Congresso Nacional, com uma Câmara forte e um TCU forte”, concluiu.
Promessa de Motta
A disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União é marcada por intensas articulações políticas nos bastidores da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria prometido ao Partido dos Trabalhadores (PT) a indicação para o cargo como parte do acordo que garantiu apoio da bancada à sua eleição para o comando da Câmara.
Nesse cenário, parlamentares avaliam, de forma reservada, que a vaga já estaria encaminhada para um nome ligado ao PT, o que eleva a tensão na disputa e pressiona candidaturas alternativas, como a do deputado Danilo Forte (PP-CE).
Entre os cotados, o deputado Odair Cunha (PT-MG) aparece como um dos principais nomes, com apoio direto de Hugo Motta.

