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Data Center do Pecém se destaca na primeira reunião da Diretoria Plena da FIEC em 2026

Foto: Reprodução

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) realizou, nesta segunda-feira (19/01), a 1ª Reunião da Diretoria Plena do ano. O encontro reuniu lideranças empresariais na Casa da Indústria para debater agendas estratégicas voltadas ao desenvolvimento industrial, sob o lema “FIEC Unida”, em um ano marcado por transições econômicas, regulatórias e tecnológicas.

O encontro foi conduzido pelo presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, que ressaltou o início de um ciclo decisivo para a indústria cearense, especialmente diante dos primeiros impactos da reforma tributária e das mudanças aceleradas na economia global. Segundo ele, a Federação tem adotado uma postura proativa, acompanhando os desdobramentos do cenário internacional, as transformações no comércio global e as oportunidades abertas por novos acordos comerciais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia.

Ao reforçar a relevância da indústria na economia do Estado — responsável por cerca de um quarto dos empregos formais do Ceará —, Cavalcante defendeu maior reconhecimento institucional ao setor produtivo. Nesse contexto, apresentou a Feira da Indústria FIEC, marcada para os dias 9 e 10 de março, como uma vitrine para aproximar a sociedade da realidade industrial, evidenciar a inovação e demonstrar como a transformação produtiva impacta o cotidiano da população. O presidente também destacou o potencial estratégico do Ceará em energia renovável e a importância da qualificação profissional, com a ampliação da rede de educação do SENAI, como base para sustentar o crescimento nos próximos anos.

Ao lado do presidente da FIEC, compuseram a mesa os ex-presidentes da Federação, Fernando Cirino Gurgel e Beto Studart; o diretor financeiro, Edgar Gadelha; o diretor administrativo, Chico Esteves; o 1º vice-presidente, Carlos Prado; a vice-presidente da FIEC e secretária de Estado de Relações Internacionais, Roseane Medeiros; além do diretor de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), Vandir Farias; do presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó; e do diretor da Ominia Data Center, Wellyson Costa.

Reforma tributária e articulação institucional

A pauta técnica da reunião concentrou-se, inicialmente, nos desdobramentos da reforma tributária. O tema foi apresentado por Emílio Moraes, presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação da FIEC (COFIN), que apontou 2026 como um ano de transição e adaptação ao novo sistema. Ele alertou para a obrigatoriedade do correto preenchimento das notas fiscais a partir de 1º de abril de 2026, etapa a partir da qual erros poderão gerar penalidades.

Moraes detalhou ainda o cronograma de substituição dos tributos atuais, com a extinção definitiva do PIS e da Cofins prevista para 2027, a redução gradual do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032 e a consolidação do IBS em 2033. Também abordou mudanças na tributação da renda, ressaltando que a sustentabilidade das empresas no novo modelo dependerá cada vez mais de gestão contábil consultiva, compliance digital e planejamento estratégico.

Na sequência, o recém-empossado diretor de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), Vandir Farias, participou do encontro reforçando a aproximação institucional com a FIEC e o setor produtivo. Ele destacou a escuta ativa como prioridade da sua gestão e colocou a equipe do banco à disposição para o diálogo direto com empresários e lideranças industriais. Mais do que apresentar resultados, Farias enfatizou o interesse em compreender demandas, esclarecer dúvidas e construir soluções conjuntas, incluindo iniciativas voltadas à inovação, à infraestrutura e à modernização dos negócios.

Data Center do Pecém e a economia do conhecimento

O principal destaque da reunião foi a apresentação do Data Center do Pecém, projeto que posiciona o Ceará como um dos polos estratégicos da infraestrutura digital no país. O tema foi abordado pelo presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, e pelo diretor da Ominia Data Center, empresa responsável pela construção do empreendimento, Wellyson Costa.

Feijó apresentou o data center como peça central da estratégia estadual de inserção do Ceará na economia do conhecimento. Segundo ele, o Estado já reúne ativos relevantes — capital humano qualificado, conectividade internacional e oferta abundante de energia renovável —, e o novo equipamento completa essa equação ao oferecer infraestrutura de dados capaz de atrair grandes empresas globais de tecnologia.

O projeto prevê investimentos iniciais de R$ 12 bilhões na infraestrutura do data center, além de R$ 3,7 bilhões destinados à implantação de novos parques solares e eólicos no interior do Estado, garantindo o uso de energia adicional e 100% renovável. Considerando todas as fases aprovadas, os investimentos podem ultrapassar R$ 200 bilhões. Entre os legados estruturantes estão a ampliação da conectividade do Complexo do Pecém com novas rotas de cabos submarinos, a construção de uma subestação de alta tensão e a geração de emprego, renda e arrecadação, com impactos relevantes no interior cearense. A política de compras locais será acompanhada com apoio do Observatório da Indústria Ceará, ampliando as oportunidades para fornecedores cearenses.

Já Wellyson Costa detalhou a concepção do empreendimento, destacando a escala inédita do projeto e o modelo “build to suit” (adaptado sob medida na tradução direta), no qual o data center é projetado conforme as especificações do cliente. A primeira fase já está contratada e tem como cliente a Baidu, controladora do TikTok. Serão dois prédios, com capacidade total de 200 MW de TI — volume equivalente a toda a capacidade atualmente instalada no Brasil —, o que posiciona o complexo como o maior do país e um dos maiores da América Latina.

O investimento da fase inicial é estimado em cerca de R$ 50 bilhões, incluindo a infraestrutura de dados e a geração de energia dedicada. No pico das obras, a expectativa é de aproximadamente 3,8 mil empregos diretos, além de milhares de postos indiretos. Na fase operacional, o complexo deverá manter cerca de 500 empregos diretos, com impacto contínuo na cadeia de serviços.

Costa também esclareceu aspectos relevantes relacionados à sustentabilidade, especialmente o uso de água. O sistema de resfriamento é fechado, com consumo estimado em cerca de três mil litros por dia na primeira fase, volume considerado reduzido para a dimensão do empreendimento. O projeto segue padrões socioambientais internacionais, com monitoramento permanente e diálogo com as comunidades do entorno.

A reunião foi encerrada com a reafirmação do compromisso da FIEC em fortalecer uma indústria moderna, sustentável e integrada, alinhada às novas exigências da economia global e ao desenvolvimento econômico do Ceará ao longo de 2026.

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