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Discurso de Bolsonaro o aproxima de eleitores no Nordeste

Se Lula for realmente impedido de concorrer à Presidência do Brasil, qual seria a segunda opção de seus eleitores? “Estou entre Lula e Bolsonaro”, afirma o motorista paraibano Rodrigo Silva Damacena, que foi PT até 2014 mas, este ano, caso o ex-presidente petista seja impedido de concorrer, cogita votar em Bolsonaro.

O desemprego, afirma Damacena, é mais um sinal da crise econômica que começou a sentir durante o governo Dilma Rousseff (PT). Mas a esperança por uma melhoria na segurança é o que justificativa  um possível voto em Jair Bolsonaro (PSL).

“Tem muita gente que vai votar nele porque pensa que, já que é ele da polícia, ou coisa assim, vai ajeitar o Brasil botando regra e lei”, explica.

Bolsonaro ainda é pouco conhecido entre os nordestinos —ao contrário de Lula—, mas seu discurso focado em segurança seduz parte do eleitorado Petista.

Eleitor de Lula desde 2002, o garçom Luís Delon, de um tradicional restaurante da capital baiana, diz que foi contra o impeachment de Dilma, mas que agora é preciso focar na “violência zero”. Por isso, explica, votará em Bolsonaro.

“Ele vai botar as Forças Armadas nas ruas. Hoje um cara mata alguém e rapidinho está solto de novo. Não dá pra ser assim”, completa.

Mudança no voto

A capacidade de colocar o país em ordem, com Exército auxiliando no patrulhamento urbano e aplicação de penas severas aos criminosos, é a principal justificativa dos nordestinos no salto de preferência de Lula para Bolsonaro.

O Datafolha mostra que o petista tem 39% das intenções de voto, seguido pelo deputado, com 19%. Quando Lula está fora da disputa, Bolsonaro vai a 22% e pelo menos 7% dos eleitores do petista migram para o capitão reformado.

Dirigentes petistas e auxiliares de Bolsonaro fazem a mesma leitura do cenário: o eleitor de Lula não é ideológico e, ainda sem conhecer o nome que substituirá o ex-presidente caso ele seja impedido de concorrer, pode ser facilmente conquistado por um perfil como o de Bolsonaro.

Assim como Lula, ele fala o que pensa, de forma simples e direta. E esse “papo reto” faz diferença para Silvio Amâncio da Silva, por exemplo, dono de uma loja de autopeças no centro de João Pessoa.

“Bolsonaro traz a mudança. Em 1964, tinha emprego e não sufoco”, afirma o comerciante de 77 anos, em referência à ditadura militar, defendida pelo capitão reformado.

Ainda que a rejeição a Bolsonaro tenha crescido no Nordeste, chegando a 50% na região, os próprios eleitores dizem não ser difícil encontrar um ex-lulista que este ano vai optar pelo deputado Jair Bolsonaro—a maioria, porém, é de homens.

“Eu, meus quatro filhos e minhas quatro noras votaremos no militar”, diz Silva. “As noras, porque seguem os maridos”, completa.

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