Por: Lívio Giosa
No último dia 03/06, uma segunda-feira, ocorreu algo inédito no Brasil. Por incrível que pareça, após convocados, os Senadores trabalharam neste dia da semana! Você que está lendo estes parágrafos iniciais também deve estar perplexo como eu. Pois é…
Qualquer trabalhador neste país, trabalha todos os dias da semana durante o mês. No Congresso Nacional e na maioria das Assembléias Legislativas nos Estados consolidou-se uma máxima: sessões só às 3ªs feiras, 4ªs feiras e 5ªs feiras. E nas 2ªs feira e 6ªs feiras os Senadores e Deputados estão liberados para os encontros com as bases! Ao longo do tempo o padrão se tornou norma e não se modifica este hábito por nada.
Muito se fala e se comprova através das pesquisas sobre a imagem dos políticos, em especial dos Congressistas. E uma das principais “broncas” da sociedade é exatamente esta questão da falta de assiduidade compulsória dos nossos representantes parlamentares. Os Regimentos Internos destas Instituições acabam sendo omissos não definindo exatamente esta condição de presença e de pauta de trabalho sintomático em todos os dias da semana.
Na verdade, vivíamos esta situação há décadas e nada poderia fazer a mudança se consolidar. No entanto, novos tempos sopraram na política brasileira. Dois fatores passaram a fazer parte de um cotidiano transformatório: o uso do celular e a maior participação da sociedade no debate político, principalmente nas últimas eleições de 2018. Com isso, uma das principais bandeiras levantadas foi a renovação parlamentar. E isto ocorreu sobretudo nas duas Casas parlamentares de Brasília: o Senado e a Câmara Federal. O índice de renovação, em relação ao próprio processo político-eleitoral, foi surpreendente: 61% no Senado e 47,3% na Câmara.
A expectativa, portanto, da sociedade era que os Senadores e Deputados Federais novatos eleitos impusessem algumas mudanças de imediato quanto à postura ética, transparência e quebra de paradigmas. Disrupção é a palavra mais forte! Mas, até agora, parece que não tiveram força suficiente (desde que queiram…) para promoverem as necessárias mudanças de maus costumes engendrados nas Casas Parlamentares. É uma pena!
Justo agora que o país passa por uma sequência de pautas emergentes e que a necessária presença diária dos Deputados e Senadores é mais do que preciosa. Prazos das MP’s se esgotando, agenda de votações super importantes, debates sobre as Reformas nas Comissões e nos Plenários, e a turma continua impávida, sem demonstrar interesse em alterar deliberadamente o status quo.
O Brasil e a sociedade, neste momento onde a economia claudica e aumentam os índices de desemprego, precisam cada vez mais da articulação dos parlamentares diariamente em Brasília, acelerando as decisões. Temos pressa para voltarmos a um patamar mínimo de desenvolvimento sustentado. É preciso foco no país e nas suas prioridades. É preciso discernimento e bom senso, quase nunca presentes em Brasília.
Neste turbilhão de necessidades, vem uma convocação para a presença dos parlamentares no Senado numa segunda-feira. A maioria estava presente… E fica a pergunta que não quer calar:
Doeu?


