A projeção para a economia brasileira em 2026 indica crescimento de 1,8%. A estimativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).
Embora o cenário internacional seja marcado por instabilidades, a expectativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, considera os impactos da guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Isso ocorre principalmente diante das incertezas e da pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
De acordo com a Carta de Conjuntura nº 70, divulgada nesta quinta-feira (09/04), o Ipea reconhece que o contexto global atravessa o momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria. Porém, avalia que ainda há razões para um “moderado otimismo”.

Apesar das incertezas externas, o estudo aponta para a consistência de fatores internos que sustentam a atividade econômica. Entre eles, se destacam o crescimento contínuo da renda disponível das famílias e a expansão do crédito ofertado pelo sistema financeiro nacional.
No cenário doméstico, o consumo das famílias se mantém como um dos principais vetores de crescimento, impulsionado, sobretudo, pelo aumento real do salário mínimo. A avaliação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial do PIB.
Outro elemento é a oferta de crédito, que pode estimular a realização de investimentos privados, componente igualmente essencial para a expansão da economia. Além do consumo e dos investimentos, o cálculo do PIB também considera os gastos do governo e o desempenho do setor externo, medido pela diferença entre exportações e importações.
No que se refere à política fiscal, o Ipea projeta a continuidade do novo arcabouço, baseado na ampliação dos gastos sociais e no aumento das receitas públicas. Entre os fatores que contribuem para esse movimento estão a política de valorização do salário mínimo e a reindexação das despesas com saúde à receita corrente líquida da União.

Já no comércio exterior, a expectativa é de que haja benefícios decorrentes de políticas fiscais expansionistas em nível global, com destaque para investimentos em inteligência artificial e o aumento dos gastos militares, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio. Como referência, o instituto relembra que, mesmo com a Guerra na Ucrânia, o comércio mundial registrou crescimento de 5,8% em 2022.
Em termos de desempenho recente, o Ipea acertou a previsão de crescimento do PIB em 2025, estimado em 2,3%. Caso a projeção de 2026 se confirme, o crescimento acumulado entre 2023 e 2026 deverá alcançar 10,7%.
Esse resultado superaria os dois quadriênios anteriores: entre 2019 e 2022, quando o PIB somou 5,7%, e entre 2015 e 2018, período em que o avanço foi de 9,9%. Para 2027, a estimativa do Ipea aponta para uma expansão econômica de 2%.
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