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Em 2024, Cearenses ficaram até 28h sem energia 

Foto: Reprodução.

Ao longo de 2024, os moradores do Ceará enfrentaram mais de 28 horas sem fornecimento de energia. O dado foi contabilizado a partir do DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), indicador calculado e divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que considera todo o ano de 2024. Quanto maior o DEC, mais tempo os consumidores ficaram sem energia.

A região de Icapuí registrou o tempo mais longo sem fornecimento de energia, uma média de 28,2 horas. Também estão entre as regiões com maiores interrupções no fornecimento de energia as regiões de Beberibe, Baixo Acaraú, Aracati e Amontada.

O indicador considera os conjuntos de unidades consumidoras, cada conjunto pode atender desde um único bairro até múltiplos municípios. Por exemplo, o conjunto de Icapuí abrange as cidades de Icapuí e Aracati.

A Aneel estabelece um limite para a duração das interrupções no fornecimento de energia. No conjunto de Icapuí, o teto era de 12 horas, porém, o tempo médio registrado (DEC) foi de 28,2 horas.

No conjunto de Beberibe, que engloba os municípios de Beberibe, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Pindoretama, a interrupção máxima permitida também era de 12 horas. No entanto, segundo a Aneel, a média ultrapassou 28 horas.

Já no conjunto de Baixo Acaraú, que atende cerca de 16 mil moradores de Acaraú, o limite estabelecido era de 13 horas. Entretanto, ao longo de 2024, a interrupção média registrada foi de 27,5 horas.

Os conjuntos com menor duração de cortes de energia estão em Fortaleza. Na Aldeota, a duração média da interrupção foi de 1,7 horas. Também estão os conjuntos que passaram menos tempo sem energia Centro (3,2 horas), Varjota (3,2 horas), Presidente Kennedy (3,3 horas) e São João do Tauape (3,7 horas).

A diferença entre as regiões pode ser reflexo de uma disparidade nos equipamentos utilizados e nas equipes disponíveis para atendimento explica o professor do departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Raphael Amaral.

Raphael aponta que regiões mais populosas tendem a receber mais infraestrutura. As características das regiões também podem influenciar na maior duração das interrupções.

“Trairi, Aracati, Icapuí são locais de ventos muito fortes. Então a própria questão do clima, chuva forte, raios pode fazer um maior número de ocorrências. E se acontece uma ocorrência, as equipes são menores e as distâncias para percorrer são maiores”, afirma.

Luiz Eduardo Moraes, membro do Conselho de Consumidores da Enel Ceará, aponta que o sistema de regulação é eficaz em penalizar as concessionárias. Ele avalia que os indicadores pressionam as empresas a aumentar os investimentos.

“Tem que fazer manutenções periódicas. Se você não fizer, a coisa começa a degringolar, começa a acontecer problemas com maior frequência. A Enel passou um período com um patamar de investimento bem menor do que o anunciado no ano passado”, revela.

Ele reitera a necessidade de tornar o sistema de transmissão mais eficiente nas regiões litorâneas, que têm maior registro de incidentes.

Em janeiro, a Enel divulgou um plano de investimentos datado até 2027. Ao todo serão investidos R$7,4 bilhões, um aumento de 54% em relação ao plano anterior, que totalizava R$4,8 bilhões de investimentos previstos para o período de 2024 a 2026.

 

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