Os estados administrados por governadores de partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentraram, em 2025, a maior dependência de recursos federais para evitar o calote em dívidas com bancos e organismos internacionais. No período, a União precisou desembolsar cerca de R$ 11 bilhões para quitar parcelas de empréstimos estaduais com garantia federal.
Os maiores volumes pagos pelo governo federal foram direcionados ao Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Todos esses estados são governados por gestores alinhados à oposição e integram o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mecanismo voltado a entes federativos em grave situação financeira.

União como garantidora das dívidas
Os dados constam no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Na prática, quando um estado não consegue honrar compromissos assumidos com garantia federal, a União assume o pagamento para preservar a credibilidade do país junto ao sistema financeiro e a organismos multilaterais.
Destaques entre os estados
Em 2025, o Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), liderou a lista, com R$ 4,69 bilhões pagos pela União, o equivalente a 42,35% de todo o montante honrado no ano. Na sequência aparece Minas Gerais, sob gestão de Romeu Zema (Novo), com R$ 3,55 bilhões (32,05%).
O Rio Grande do Sul, comandado por Eduardo Leite (PSD), teve R$ 1,59 bilhão quitado pelo governo federal, enquanto Goiás, administrado por Ronaldo Caiado (União Brasil), recebeu R$ 888,06 milhões em socorro financeiro.
Como funciona o Regime de Recuperação Fiscal
O RRF permite que estados em crise adotem um plano de ajuste de longo prazo para reequilibrar as contas públicas. Ao aderir ao regime, os governos estaduais recebem benefícios imediatos, como a suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União e o apoio federal em financiamentos garantidos.
Em contrapartida, precisam cumprir uma série de exigências, incluindo limites para gastos com pessoal, restrições a reajustes salariais, revisão de benefícios fiscais, privatizações e reformas administrativas. As dívidas não são perdoadas, mas refinanciadas em prazos que podem chegar a até 30 anos.
Baixa recuperação dos recursos
Desde 2016, a União já desembolsou R$ 86,52 bilhões para cobrir dívidas garantidas de estados e municípios, mas conseguiu recuperar apenas R$ 5,9 bilhões desse total. Somente em dezembro de 2025, a recuperação foi de R$ 25,02 milhões.
A maior parte das garantias honradas — cerca de R$ 76,97 bilhões — está concentrada justamente nos estados integrantes do RRF, que têm direito à suspensão temporária da execução das contragarantias. Outros valores deixaram de ser recuperados por compensações relacionadas ao ICMS ou por decisões judiciais envolvendo estados e municípios.
Contradição política
Os números de 2025 evidenciam uma contradição no discurso de parte dos governadores de oposição, que criticam a política econômica do governo federal, mas dependem fortemente da União para manter as contas em dia. Na prática, o Tesouro Nacional segue atuando como fiador de última instância, evitando inadimplência generalizada e protegendo o crédito público brasileiro.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


