A valorização das narrativas indígenas e de suas trajetórias de resistência ganha destaque em Fortaleza com a abertura da exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará”. A mostra será inaugurada neste sábado (28/03), a partir das 15h, no Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE), com cerimônia realizada na praça do equipamento cultural.
Instalada na Galeria da Liberdade, a exposição reúne 31 obras produzidas por 11 artistas indígenas, entre fotografias, artes visuais, instalação e obra sonora. O conjunto apresenta histórias de luta, identidade e afirmação de 17 povos indígenas presentes em 21 municípios cearenses.
A curadoria é assinada por Nyela Jenipapo, Rodrigo Tremembé e Suzenalson Kanindé, representantes dos povos Jenipapo-Kanindé, Tremembé e Kanindé. A proposta evidencia o protagonismo indígena na construção de suas próprias narrativas, destacando processos históricos de resistência, organização política e preservação cultural.

Durante a abertura, estão previstas as presenças dos curadores, de lideranças indígenas, de artistas participantes e de representantes da Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepince), apoiadora da iniciativa. A programação inclui ainda a realização do Toré, ritual comum a diversas etnias do Nordeste, e do Torém, prática sagrada do povo Tremembé.
A exposição reúne produções de povos como Jenipapo-Kanindé, Tremembé, Kanindé, Anacé, Pitaguary, Tapeba, Kariri, Potyguara, Tabajara e Gavião. As obras abordam temas como retomada territorial, manifestações por direitos, práticas de cura, celebrações culturais e espiritualidade, além da reafirmação identitária.
Outro destaque da mostra é a valorização das línguas originárias, como Nheengatu, Dzubukuá e a língua Tremembé, tratadas como expressões vivas de memória e continuidade cultural. Elementos como o Toré e o Torém aparecem como manifestações que articulam dimensões espirituais, políticas e coletivas.

Além das produções visuais, o percurso expositivo incorpora frases de lideranças indígenas estaduais e nacionais, apresentadas como parte do ato curatorial. Nyela Jenipapo atua como pesquisadora, comunicadora e museóloga, com participação na criação do Museu Indígena Jenipapo-Kanindé. Rodrigo Tremembé desenvolve trabalhos que conectam arte, moda e ancestralidade, com presença em exposições nacionais e internacionais. Já Suzenalson Kanindé é pesquisador e articulador nas áreas de patrimônio e memória, com atuação em redes de museologia social e políticas culturais indígenas.
A mostra conta com obras dos artistas Cícero Kanindé, Jardel Anacé, Merremii Karão Jaguaribara, Moisés Tremembé, Rudá Jenipapo, Iago Jenipapo, Lidiane Anacé, Victor Kanindé, Clarinha Kanindé, Henrique Tabajara e Rapha Anacé. O espaço funciona às quartas e quintas-feiras, das 10h às 18h, e às sextas e sábados, das 13h às 20h, com acesso permitido até 30 minutos antes do fechamento.
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