Ter um animal de estimação em casa alegra o ambiente e enche os moradores de amor. Em muitos lares, os pets fazem parte da família e participam, inclusive, das tradições religiosas, como acontece na solenidade de São Francisco de Assis, comemorada nesta sexta-feira (4/10). O santo que pregava o respeito a todas as criaturas ficou conhecido como padroeiro dos animais, da natureza e dos pobres. No Distrito Federal, o Santuário São Francisco de Assis, na 915 Norte, recebe, há mais de 35 anos, milhares de bichinhos para a tradicional missa e benção. No local, fiéis devotos e seus pets são acolhidos na igreja para celebrar a data.
O frei Rafael Pinheiro Normando, responsável pelo santuário, explica que a tradição é esperada por muitas pessoas e que é uma forma de agradecer e louvar a Deus pela sua criação. “O próprio rito da bênção diz que nós agradecemos pelo dom dos animais. Eles nos ajudam. Muitas pessoas são curadas da depressão devido à companhia de um bichinho. Claro que não substitui a companhia de uma pessoa, mas o ser humano precisa ser cuidado e, principalmente, cuidar de algo”, conta.
O sacerdote, dono do golden retriever Bonaventura, diz que seu cachorro participa do cotidiano da igreja. “Falo por experiência própria que a relação com o animal é algo bastante puro. Traz uma harmonia para dentro das nossas casas”, reconhece.
Integrante da paróquia há 20 anos e voluntário na organização da missa, o servidor Marcelo Ponte, 40 anos, destaca que desde a criação da igreja em 1981, o espaço é lugar de devoção dedicado aos fiéis e que a estimativa é receber mais de 5 mil pessoas na igreja no dia de São Francisco. De acordo com Marcelo, a paróquia recebe pessoas de outros estados e, até mesmo, não praticantes da religião católica para receber as bênçãos dos animais no dia do padroeiro nesta sexta-feira (4/10).
Marcelo explica que, para muitos donos, os animais fazem parte das famílias e acolhê-los em ambiente religioso segue os preceitos de São Francisco, que defendia a fraternidade, o amor e o carinho entre os seres vivos. “É como levar um filho para ser abençoado, extrapola a religião, os donos dos bichinhos fazem isso como uma forma de proteção para o animal”, conta.
Devoção
Gerlania Ribeiro de Moraes, 33, é fotógrafa e dona do labrador Vitão. Ela explica a participação de seu companheiro de quatro patas nas festividades em homenagem a São Francisco de Assis. “Eu tenho um carinho muito especial pelo santuário. Eu me sinto acolhida naquele lugar, costumo chamar de meu lugar de paz. Quando descobri que tinha a bênção dos animais, não pude levar o Vitão no primeiro ano de vida dele, mas, em 2017, prometi que o levaria e que ele iria vestidinho de frei”, revela.
A fotógrafa, que é católica, afirma que a presença do Vitão na igreja lhe faz muito bem. “Ter o Vitão comigo em um dos lugares onde eu me sinto bem acolhida, e ver ele vivendo tudo isso comigo, é maravilhoso. É o dia em que posso fazer minhas orações e viver a comunhão com o meu amigão do lado”, desabafa. Gerlania lembra que o animal foi um presente de casamento. “Hoje não consigo imaginar minha casa e a nossa vida sem ele, ele traz alegria pra casa. É incrível como depois de um dia estressante de trabalho, ver a alegria dele, porque, quando chegamos, ele alivia todo o nosso cansaço, todo o estresse do dia.”
A auxiliar administrativa Rejane Lopes Neto, 31, afirma que a devoção por São Francisco também veio de família. “Para nós, católicos, é uma tradição. Desde pequena sempre fui muito protetora, sempre resgatei animais, e minha mãe falava para eu rezar para São Francisco de Assis abençoar os animaizinhos da rua. Mesmo sem entender direito, eu fazia. Hoje entro em algumas clínicas veterinárias e a primeira coisa que me chama a atenção é a imagem de São Francisco de Assis. É de se emocionar! Trazê-los nesse ambiente, nada mais é do que sentir o amor de Deus de perto”, explica.
Protetor dos animais
Nascido em Assis, na Itália, São Francisco dizia que para ele todas as criaturas eram obras de Deus, e as chamava de irmãos. Em carta apostólica escrita em 1999, o papa João Paulo II proclamou, o santo “celeste padroeiro dos cultores da ecologia”. Francisco via em toda a criação a presença de Deus. De modo especial, se tornou defensor dos animais, pela proximidade maior com os seres humanos. Para ele, toda a criação está conectada.
Correio Braziliense


