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Financiamento imobiliário cai 18,7% no Ceará em 2025; veja razõe

Foto: Reprodução

O financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) apresentou queda de 18,7% no Ceará em 2025, alcançando R$ 2,7 bilhões.

Informações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que, entre janeiro e novembro do ano passado, 7,8 mil imóveis foram financiados, retração de 22,1%.

No mesmo intervalo de 2024, os financiamentos chegaram a R$ 3,4 bilhões no Ceará, com 10 mil unidades habitacionais.

Apesar do ambiente mais restritivo, o Ceará registrou desempenho superior em novembro de 2025. No período, os financiamentos imobiliários com recursos do SBPE totalizaram R$ 293,9 milhões, com 929 unidades financiadas, número acima do observado em novembro de 2024.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, a redução do crédito não representou desaceleração do mercado imobiliário, mas um ajuste estratégico.

“O crédito ficou mais seletivo por causa dos juros altos e da menor disponibilidade de recursos da poupança, mas o mercado respondeu com produtos mais adequados à realidade das famílias”, explica.

Segundo Patriolino, entre janeiro e outubro de 2025, os lançamentos imobiliários em Fortaleza tiveram crescimento em torno de 18%, com destaque para o segmento econômico, que avançou aproximadamente 33%.

No mesmo intervalo, as vendas totais cresceram cerca de 22% em quantidade de unidades, enquanto o Valor Geral de Vendas (VGV) teve alta aproximada de 16%, atingindo R$ 4,83 bilhões.

“As famílias continuam comprando, mas priorizando imóveis menores, mais eficientes e com melhor relação custo-benefício”, diz.

Juros altos impactam classe média

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), André Montenegro, o principal fator por trás desse cenário é o nível elevado dos juros. Segundo ele, o custo do financiamento tem afetado sobretudo a classe média.

“Não tem economia que resista a um juro tão alto. Isso impacta diretamente o imóvel. A classe média tem sido muito abalada e, em muitos casos, tem adiado o sonho da casa própria”, afirma André.

Atualmente, as taxas de financiamento imobiliário com recursos da poupança nos grandes bancos começam em cerca de 11,29% ao ano, acrescidas da Taxa Referencial (TR), que acumulou aproximadamente 1,97% nos últimos 12 meses.

Na prática, o custo efetivo do financiamento supera 13% ao ano, o que encarece as prestações e diminui o valor que pode ser financiado pelas famílias.

Retração também no Brasil

O crédito imobiliário no Brasil diminuiu em 2025 na comparação com 2024, ampliando as incertezas sobre o acesso à casa própria nos próximos anos.

Conforme a Abecip, entre janeiro e novembro de 2025, os financiamentos com recursos do SBPE somaram R$ 140,1 bilhões, queda de 17,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A redução também apareceu no número de imóveis financiados. No acumulado de 11 meses de 2025, foram contratadas cerca de 408,3 mil unidades, recuo de 21% frente a 2024.

Somente em novembro, o total de imóveis financiados caiu 16,7% na comparação anual, chegando a 39,2 mil unidades.

 

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