Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desenvolvido pela Diretoria de Geociências, apresenta a segunda atualização do estudo sobre Gestão do Território, abrangendo um período de 10 anos. A pesquisa analisa a dinâmica e as conexões dos 5.570 municípios do Brasil, identificando os Centros de Gestão, ou seja, as cidades que desempenham um papel de liderança na rede urbana, tanto em termos empresariais quanto na gestão pública.
Uma das novidades desta edição foi a inclusão da gestão estadual, com destaque para as localizações e os vínculos das entidades descentralizadas, como as Secretarias Estaduais de Saúde e Educação. As pastas foram escolhidas devido à sua estrutura uniforme em todas as unidades federativas. Essa adição ampliou a base de dados de gestão pública, alcançando também os níveis médio e baixo da rede urbana.
Intensidade empresarial
A intensidade das ligações de cada município é medida pela soma das sedes e filiais das empresas multilocalizadas presentes em sua localidade. Esse indicador calcula o total de interações empresariais de um município, considerando tanto as sedes quanto as filiais, refletindo a força das conexões comerciais entre as cidades. Quanto maior a intensidade, maior a interação de um município com os demais, independentemente da distância geográfica.
Em 2021, a cidade de São Paulo (SP) ocupava o topo da classificação, seguida por Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), que formam a segunda classe dos centros de maior intensidade de relacionamento. Cidades como Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE) fazem parte da terceira classe, enquanto uma maior concentração de municípios menos representativos ocupa a quarta classe, onde a rede urbana é densa, mas com menos destaque empresarial.
Ao comparar os mapas de 2011 e 2021, observa-se que, embora os padrões de centralidade se mantenham consistentes, surgem novas centralidades intermediárias. São elas: Itajaí (SC), Cuiabá (MT), Belém (PA) e Manaus (AM), que cresceram na hierarquia urbana.
Hierarquia Urbana
A hierarquia urbana classifica as cidades brasileiras conforme sua importância econômica, populacional e sua influência sobre os municípios vizinhos. As metrópoles, que concentram maior número de pessoas, empregos e serviços, são as mais influentes e exercem grande poder de atração para atividades empresariais, o que reforça sua centralidade. Em 2021, 38,5% das sedes de empresas multilocalizadas estavam localizadas nas metrópoles.
Por outro lado, os municípios classificados como Centros de Zona, com menor número de sedes de empresas, representam apenas 5,9% do total. Essa concentração em grandes centros reflete a forte relação entre a hierarquia urbana e a quantidade de ligações empresariais.
A Região Sudeste continua sendo a mais concentrada em termos de empresas multilocalizadas, mas houve um aumento nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. O destaque foi o crescimento da Região Nordeste, que passou de 15,3% em 2011 para 17,0% em 2021.
As empresas multilocalizadas no Brasil têm, predominantemente, setores de comércio (43,8%) e serviços (36,2%), seguidos pela indústria (16,7%) e atividades relacionadas ao agronegócio e extrativismo (3,3%). Em 2021, o número de empresas multilocalizadas foi de 113.068, representando 2,2% do total de empresas no Brasil, um aumento de 32,5% em comparação com 2012.
São Paulo (SP) liderou, em 2021, a quantidade de assalariados externos, com 1.855.722 trabalhadores, um aumento de 17,4% em relação a 2012. Outras cidades como Barueri (SP), Fortaleza (CE) e Curitiba (PR) também registraram crescimento nesse indicador, enquanto cidades como Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) viram uma redução.
Centros de Gestão
Em 2024, São Paulo (SP), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ) mantiveram-se como os municípios de maior centralidade na gestão do território. As metrópoles continuam sendo os principais centros de gestão pública, enquanto cidades de médio porte, como Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE), também têm se destacado no cenário de gestão territorial.
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