
A população em situação de rua, pessoas em vulnerabilidade e em extrema pobreza continuam no foco da gestão municipal em 2026. Conforme a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), além dos equipamentos recém-inaugurados, como o restaurante popular no Centro, a capital cearense passará a contar com seis albergues destinados ao acolhimento dessas pessoas, além de novas cozinhas que irão abrigar o programa Fortaleza Sem Fome.
De acordo com Cynthia Studart, secretária executiva da pasta, os novos equipamentos já estão no planejamento da secretaria.
“Estão previstas outras cozinhas, Fortaleza sem fome, agora no para o primeiro semestre, e dessas que estão sendo planejadas, cerca de 12, vão ser específicas para a população em situação de rua, onde a gente vai distribuir justamente nesses espaços que tem concentração dessa população, como Papicu, Parangaba, Messejana, Bom Jardim, além do Centro que já abriga o restaurante popular.”
Atualmente, o programa de distribuição de sopas fornece cerca de 2.400 unidades por dia.
As cozinhas solidárias estão instaladas em locais que já recebem pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade. Esses espaços são mapeados pela gestão municipal, que os define como pontos de apoio para o recebimento dos recursos destinados à distribuição dos alimentos. Em Fortaleza, atualmente quatro equipamentos atendem as pessoas que necessitam do serviço: Irmão Sol, Irmão Lua, Irmã Inês, Shalom, Instituto Shalom e Casinha do Bem.
Studart explicou ainda que recentemente a gestão municipal lançou um edital para a seleção de instituições que irão atuar no apoio aos albergues noturnos.
“Além dessas cozinhas, há outros equipamentos que também prestam atendimento, como os acolhimentos institucionais. A gente acabou de ‘ rodar’ um edital, convocando organizações da sociedade civil para realizar parceria com a gente para a expansão de unidades de acolhimento, albergues noturnos, onde a gente garante a acolhida. Então, vão ser seis albergues cada um com vagas para 50 pessoas e vão estar espalhados na cidade.”
Em Fortaleza, foi inaugurado na segunda quinzena de dezembro passado um restaurante popular no Centro. A iniciativa já realiza a distribuição de cerca de 1.000 quentinhas de segunda a sexta-feira para pessoas cadastradas no CadÚnico. Segundo a secretária, atualmente a pasta está concentrada em cadastrar pessoas que necessitam do serviço, mas que ainda não estão com o registro regularizado. No entanto, não há previsão de novos equipamentos semelhantes até o fim desta gestão.
Novos CAIS
A secretária recorda que, no último semestre de 2025, foi anunciada a construção de três novos Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social na Política sobre Drogas (CAIS), financiados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), nos bairros Jacarecanga e Papicu. O investimento federal de R$ 6 milhões será executado em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), responsável pela gestão técnica e pelo monitoramento.
Os espaços vão oferecer acolhimento multidisciplinar com serviços de psicologia, assistência social, cultura, esporte, lazer, orientação jurídica, capacitação profissional e inclusão produtiva. O objetivo é integrar o público em situação de vulnerabilidade às políticas públicas de diferentes esferas.
Conforme informações da pasta, os bairros que receberão os equipamentos foram definidos após um mapeamento que identificou as áreas com maior concentração de pessoas nessas condições. Atualmente, segundo o último Cadastro Único, a capital possui mais de 10 mil pessoas nessa situação, com maior concentração no Centro. Entretanto, a secretária afirma que o problema se estende para bairros próximos, com pontos de maior concentração no Benfica, Damas, Centro, Praia de Iracema, Jacarecanga, Mucuripe, Serviluz e Papicu.
As iniciativas da gestão municipal fazem parte do plano Fortaleza Inclusiva, que tem como um de seus eixos o suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade social.


