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Governo brasileiro acusa família Bolsonaro de incentivar intervenção estrangeira

De acordo com Lula, pedir a intervenção estrangeira é motivo de vergonha, além de ser uma traição cometida contra a pátria - Foto: Getty Images
De acordo com Lula, pedir a intervenção estrangeira é motivo de vergonha, além de ser uma traição cometida contra a pátria – Foto: Getty Images

O Governo do Brasil se posicionou após os Estados Unidos definirem facções atuantes no país, a exemplo de PCC e CV, como organizações terroristas. De acordo com especialistas, essa decisão pode estar sendo utilizada como pretexto para intervenção estrangeira no país. Em nota, o Palácio do Planalto também criticou a família Bolsonaro, acusando os seus membros de provocarem o presidente dos EUA, em busca dessa intervenção.

Para o Governo Federal, é o próprio Brasil que tem a autonomia para agir, com soberania, no combate às organizações criminosas atuantes no país. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz um trecho do comunicado.

Nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República,  se encontrou com o presidente Donald Trump. O político afirmou que, na ocasião, pediu ao chefe da Casa Branca para classificar grupos narcotraficantes no Brasil como terroristas.

Intervenção estrangeira

Em evento realizado em Sergipe, Lula (PT) repudiou o pedido de Flávio Bolsonaro. Para o presidente da República, o senador cometeu uma atitude vergonhosa e pode ser considerado um “traidor da pátria”.

“Não podemos ser tratados como moleques, nem como uma republiqueta. Eu estive 3h com o presidente Trump e entreguei quatro documentos para ele. Um deles tratava do combate ao crime organizado. Filho do Bolsonaro não ter vergonha na cara de trair a nossa pátria. Se o pedido de intervenção fosse para milicianos, eles ficavam presos lá”, criticou.

Ainda sobre a nota, o Governo Brasileiro afirma que atitudes como essa, com claros objetivos políticos, não contribuem para o fortalecimento da segurança nacional. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.

O que muda?

Quando os Estados Unidos classificam um grupo como organização terrorista, eles ampliam em larga escala o poder de atuação contra integrantes, financiadores e parceiros desse grupo, inclusive fora do território americano. 

Outro ponto importante é que a classificação muda o nível jurídico do combate. Hoje, PCC e CV são tratados como organizações criminosas. Se passarem a ser vistas como terroristas pelos EUA, haverá margem para instrumentos mais agressivos.

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