O Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará, registra em média 83 atendimentos mensais de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na emergência. Além disso, a média mensal de internações chega a oito.
O TPB é caracterizado por sintomas como mudanças rápidas de humor, medo de abandono, relacionamentos instáveis, impulsividade, crises de raiva, comportamentos autolesivos e sensação de vazio. No Brasil, estima-se que entre 1% e 3% da população conviva com o transtorno, o que equivale a aproximadamente dois milhões de pessoas. Em serviços de saúde mental, cerca de 20% dos pacientes de ambulatórios apresentam características do TPB, percentual que pode ser ainda maior entre pacientes internados.
Causas
O transtorno não possui causa única, mas fatores como histórico de maus-tratos na infância e abuso de álcool pelos pais aumentam o risco. Ele surge da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais.

“Esse ambiente é caracterizado por situações em que as emoções da criança não são reconhecidas ou acolhidas de forma adequada. Como consequência, a pessoa aprende maneiras disfuncionais de interpretar a si mesma, os outros e o mundo, o que favorece respostas desadaptativas diante das situações da vida”, explica o psiquiatra Samuel Pinho.
Tratamento
Nesse contexto, o diagnóstico precoce é essencial. A psicoterapia estruturada é o tratamento de primeira escolha, destacando-se a Terapia Comportamental Dialética (DBT), que atua na regulação emocional, tolerância ao estresse e melhoria das relações interpessoais.
Outras abordagens, como a Terapia Baseada em Mentalização (MBT) e psicoterapias psicodinâmicas, também apresentam eficácia comprovada. Vale destacar que medicamentos também podem ser utilizados para tratar sintomas associados, como depressão, ansiedade ou impulsividade.
“Investir em diagnóstico precoce, tratamento especializado e políticas públicas de saúde mental é essencial para reduzir o sofrimento, prevenir complicações e oferecer às pessoas com TPB uma vida mais equilibrada e significativa”, conclui o especialista.
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