
O Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Limoeiro do Norte, realizou, nesta quinta-feira (9), a primeira captação de órgãos de 2026. A ação também marcou a primeira retirada de córneas da unidade. Foram coletados ainda dois rins, um fígado e um coração, encaminhados para Fortaleza por meio de transporte aéreo.
A captação múltipla contou com três equipes de profissionais e duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), vinculada à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A primeira aeronave partiu levando o coração, enquanto a segunda transportou as córneas, o fígado e os rins para unidades hospitalares.
Equipes especializadas garantem agilidade no procedimento
A operação foi coordenada pela Equipe de Doação de Órgãos para Transplante (e-DOT) do HRVJ, em parceria com a Central Estadual de Transplantes e o Banco de Olhos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). A integração entre os serviços da rede de saúde assegura a eficiência necessária para o êxito dos transplantes no Estado.
Ao todo, 15 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, participaram das captações.
“Minha primeira captação de córnea foi uma experiência desafiadora, mas imensamente gratificante. Um momento que reforçou o verdadeiro sentido do cuidar e de transformar a dor em esperança”, destacou a enfermeira do HRVJ, Andresa Rodrigues de Oliveira, responsável pela primeira cirurgia.
Lei prevê que processo de doação deve ser sigiloso
O processo de doação e transplante de órgãos no Brasil segue o princípio do anonimato, conforme estabelece o Decreto nº 9.175/2017, que regulamenta a Lei nº 9.434/1997 (Lei dos Transplantes). A norma determina que, nos casos de doação após a morte, seja preservada a identidade dos doadores em relação aos receptores e dos receptores em relação às famílias dos doadores, sem exceções. A diretriz busca garantir a ética, a segurança e a credibilidade do sistema nacional de transplantes, além de orientar a comunicação institucional e a atuação da imprensa sobre o tema.
Essa garantia é reforçada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) e constitui um dos pilares do sistema brasileiro de transplantes, contribuindo para a proteção da privacidade, a prevenção de qualquer forma de comercialização ou pressão indevida e o fortalecimento da confiança no processo junto à sociedade.
Como ser doador de órgãos e tecidos
No Brasil, não é necessário deixar nenhum documento oficial para ser doador de órgãos. O mais importante é comunicar à família esse desejo ainda em vida, pois são os familiares que autorizam a doação.
É possível doar órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas, permitindo que um único gesto beneficie diversos pacientes.


