A investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) provocou um impasse entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF). O ministro André Mendonça, relator do caso, determinou que a corporação encaminhe documentos brutos da apuração e que qualquer mudança na equipe responsável pelo inquérito tenha autorização prévia do Supremo.
A decisão gerou reação da PF, que argumenta ter autonomia para conduzir investigações e afirma que o procedimento habitual é analisar provas, elaborar relatórios e encaminhar as informações ao relator. A corporação também sustenta que mantém uma cadeia de custódia para preservar os materiais apreendidos.

Mendonça afirma que as medidas buscam garantir uma investigação independente, evitar interferências e assegurar o acesso da defesa aos elementos já produzidos, conforme prevê a Súmula Vinculante 14 do STF. O ministro também teria apontado que depoimentos e relatórios periódicos da investigação não estariam sendo apresentados conforme solicitado.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, manteve a resistência ao compartilhamento integral dos dados e encaminhou o impasse para a Advocacia-Geral da União (AGU). O caso também envolveu o ministro da Justiça, Wellington César Lima, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que optaram por não interferir diretamente na disputa.
A investigação apura um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, que ganhou repercussão pelo número de vítimas e pelo volume de recursos envolvidos. Entre os investigados está Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
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